Wall Street: “Caiu! Caiu! A grande Babilônia”

“Caiu! Caiu! A grande Babilônia!” 
(a propósito do artigo publicado na revista Carta Capital, com o título “Depois de Berlim, Nova York”)

 

 

Caiu o muro do socialismo quando caiu o muro de Berlim anos atrás? Caiu o muro do capitalismo quando caiu wall street dias atrás? Os muros, sim; mas, descem e sobem as cortinas, os atores e a peça continuam os mesmos, mais nús, é verdade, menos convincentes, é certo, até que caia o pano definitivamente.

 

Condenar os “gurús” da economia e da administração ou os jornalistas que se afoitam a falar e escrever, opinando nas TVs, jornais e revistas, sem uma visão sistêmica dos acontecimentos, não só do que os causou, mas, também, do que se pretende que eles causem, seria como trocar o autor e não os atores da peça: por mais que algum Shakespeare reescreva a peça e molde-a aos atores, a platéia continuará tingindo os cabelos como os atores.

 

Caiu wall street. “Caiu, caiu, a grande Babilônia”? Ainda não. Mas que está tudo peneirando, ah! Lá isso tá! Tudo e todos. Eu mesmo não estou mais me aguentando nas pernas, de tanta “hemorragia das bestialidades”, como disse outro comentarista da matéria “Depois de Berlim, Nova York”, no site da revista Carta Capital.

 

O cientista trilógico Norberto Keppe, décadas atrás, escreveu um livro com o título “O fim do império americano”. Sua ousadia profética valeu-lhe o confisco dos seus bens e sua expulsão dos Estados Unidos. Foi socorrido por amigos na Suiça e retornou para o Brasil, sua terra natal. Antes dele, outros profetizaram o fim da URSS e, semelhantemente, tiveram semelhante tratamento. Cópias de Cristo quando profetizou o fim do império sacerdotal humano dos judeus e do império romano?

 

No Brasil, Keppe passa quase desapercebido, pois, aqui, os “caras-pálidas” das “iluminuras”, lembrando outro comentarista no site da revista Carta Capital, os formadores de opinião, não todos, preferem dormir “eternamente em berço explêndido”, ainda que raspem a cabeça por causa de outros piolhos, e não por acharem que é moda na Europa, como pensou a “elite” da colônia brasileira ao verem a corte portuguesa aportar no Brasil com os cabelos raspados, por causa da epidemia de piolhos que ocorrera nos navios que os trouxeram para cá, fugindo ao cerco de Napoleão. Novos piolhos! E que piolhos! Como diria Jânio de Freitas: ô elitizinha.

 

Que ninguém se engane: capitalismo e socialismo são faces da mesma moeda e braços da mesma balança. Um sem o outro perdem sua razão de ser e sua instrumentalidade. Um não subsiste sem o outro. Não há nada tão socialista quanto a ideologia da responsabilidade social nas empresas capitalistas, não só das socialistas  (para não falar dos carnavais e natais capitalistas) e não há nada tão capitalista quanto a ideologia bélica e universitária dos socialistas, não só dos capitalistas (para não falar dos carnavais e natais socialistas).

 

Tio Sam, enquanto governo sistêmico, não enquanto povo, é apenas um braço ou, no máximo, uma das cabeças da Grande Prostituta, do Dragão, da Besta ou do Falso Profeta, como queiram chamar os que preferem a linguagem apocalíptica dos Sete Selos, Sete Trombetas, Sete Cálices e Sete Ais. Ainda vem a ruína de mais muros.

 

Todos os muros que fazem separação entre homens e homens estão ruindo um a um. Logo o último muro cairá e a humanidade não terá outra opção que não seja a de viver em união e de, finalmente, amarem uns aos outros. Só espero que ao cair o último muro e entrar por fim na Cidade da Paz e do Descanso, “Jericó” não esteja deserta, e não haja a quem abraçar, com quem brincar, com quem rir, com quem crescer, com quem ficar rico, com quem compartilhar as riquezas, e ninguém para amar.

(Jair Jatobá – 23/out/2008)

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