Criacionismo ou evolucionismo?

Resposta à coluna “Lembra-te de Darwin” – André Petry – Veja

 Para quem não teve a infelicidade de ler uma das piores colunas da história do jornalismo nacional, segue a coluna do economista André Petry, na revista Veja desta semana. Abaixo, segue uma resposta.

http://veja.abril.com.br/veja_notitia/imagens/andre_petry.jpg <file:///C:\DOCUME~1\MCFT\CONFIG~1\Temp\msohtmlclip11\clip_image001.jpg> André Petry colunadopetry@abril.com.br
Lembra-te de Darwin

“É inaceitável dar criacionismo em aula de biologia. Embrutece porque ensina o aluno, desde cedo, a confundir crença e superstição com razão e ciência.”

É assustador que, às vésperas do bicentenário do nascimento de Charles Darwin, pai da teoria da evolução, escolas brasileiras estejam ensinando criacionismo nas aulas de ciências. Já se sabia que as escolas adventistas fazem isso. A novidade é que o negócio está se propagando. Em instituições tradicionais de São Paulo, como o Mackenzie, inventou-se até um método próprio para o ensino. “Antes, usávamos o material que havia disponível no mercado”, explica um dos diretores da escola, Francisco Solano Portela Neto.
O criacionismo é ensinado como ciência da pré-escola à 4ª série.

Não há problema em que o criacionismo seja dado nas aulas de religião, mas ensiná-lo em aulas de ciências é deseducador. Criacionismo é a explicação bíblica para a origem da vida. Diz que Deus criou tudo: o homem, a mulher, os animais, as plantas, há 6 000 anos. Quem estuda religião precisa saber disso. É uma fábula encantadora, mas não é ciência. É inaceitável que o criacionismo seja ensinado em biologia para explicar a origem das espécies. Em biologia, vale o evolucionismo de Darwin, segundo o qual todos viemos de um ancestral comum, há bilhões de anos, e chegamos até aqui porque passamos no teste da seleção natural. É a melhor (e por acaso a mais bela) explicação que a ciência encontrou sobre a aventura humana na Terra.

Quem contrabandeia o criacionismo para as aulas de biologia diz que, em respeito à “liberdade de pensamento”, está “mostrando os dois lados” aos alunos. Afinal, são escolas religiosas, confessionais, e os pais podem ter escolhido matricular seus filhos ali exatamente porque o criacionismo é visto como ciência. Pode ser, errar é livre, mas que embrutece não há dúvida. Embrutece porque ensina o aluno, desde cedo, a confundir crença e superstição com razão e ciência. É desnecessário. Que cientistas saem de escolas que embrulham o racional com o místico? Também é cascata, porque, fosse verdade, a turma estaria ensinando numerologia em matemática. Ensinaria alquimia em química, dizendo, em nome da “liberdade de pensamento”, que é possível transformar zinco em ouro e encontrar o elixir da longa vida…

Há pouco, na Inglaterra, um reverendo anglicano defendeu o estudo do criacionismo na educação básica. Era diretor de educação da Royal Society. Queria colocar Deus no laboratório da escola. Cortaram-lhe o pescoço. A Suprema Corte americana já examinou o assunto. Mandou o criacionismo de volta às aulas de religião. No Brasil, terra do paradoxo, o atraso avança.

Darwin foi um gênio. Em seu tempo, não se sabia como as características hereditárias eram transmitidas de pai para filho. Nem que a Terra tem 4,5 bilhões de anos e que os continentes flutuam sobre o magma. No entanto, a teoria da evolução se encaixa à perfeição nas descobertas da genética, da datação radioativa, da geologia moderna. Só um cérebro poderosamente equipado, conjugado com muito estudo, pode ir tão longe. Confundido com criacionismo, Darwin parece um macaco tolo. É assustador.

Segue Resposta:

Caro senhor Petry. Não poderei escrever um texto à altura do seu, afinal, devido à educação recebida em casa, e minha inteligência, não consigo ser tão baixo. Não consigo conceber a idéia de que um jornalista que tanto luta pela liberdade de imprensa escreva um texto desprovido de liberdade de pensamento, que embrutece os leitores.  Um texto sem argumentos, sem respeito, e demonstrando total falta de conhecimento, afinal, a comprovação científica do evolucionismo é tão real quanto o vôo de um avestruz. O seu texto não é só um desrespeito aos criacionistas, mas à comunidade científica em geral, que são pessoas preocupadas em desvendar os mistérios, em estudar, não em falar inverdades irresponsavelmente. Ambos, criacionismo e evolucionismo, quanto todas as outras idéias e possibilidades para desvendar o surgimento da vida não foram comprovadas por ninguém em nenhuma época. Todos são possibilidades que encontram evidências a favor e contrárias, que necessitam de fé dos seus seguidores. É de uma total ignorância os ditos argumentos presentes em seu texto, afinal, está comprovado que alquimia não funciona, e química sim. Está comprovado que numerologia não funciona, e matemática sim, mas não está comprovado que evolucionismo ou criacionismo existiram. Vale lembrar também que a idéia desenvolvida por Darwin não vai ao encontro às descobertas da genética, nem da datação por radiação, nem da geologia moderna. Não é à toa, que existe hoje o neodarwinismo, que busca colocar o pensamento de Darwin em harmonia com as descobertas de Mendel.

Guardadas às devidas proporções, posso comparar seu texto ao livro de Richard Dawkins “Deus, um delírio”, que foi duramente criticado pela comunidade científica de renome internacional, por alterar resultados de pesquisas e inventar dados, para tentar comprovar o evolucionismo. Guardadas ás devidas proporções, pois Dawkins é um cientista com conhecimento da área e que mudou os dados, não um irresponsável que fala sobre o que não conhece. Vale registrar que grandes gênios do passado, como Leonardo da Vinci, Geórgia Agrícola, Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Johannes Kepler, Francis Bacon, Blaise Pascal, Robert Boyle, Isaac Newton, Gottfried Wilhelm Leibnitz, Caroline Herschel, Bartolomeu de Gusmão, Maria Gaetana Agnesi, Georges Cuvier, Maria Mitchell, Gregor Mendel, Louis Pasteur, George Washington Carver, William Ramsay, Carlos Chagas Filho, Wernher Von Braun, Albert Einstein, e tantos outros acreditavam em Deus, respeitavam a liberdade de pensamento, e muitos ainda eram criacionistas.

Yuri Gagarin, após o seu retorno a Terra, disse: “Eu estive no céu, e não vi Deus!”. A resposta veio em 1968, quando a Apollo 8 estava circundando o lado escuro da lua, numa órbita muito superior à alcançada por Gagarin. Ao terminar a volta, no  momento em que contemplaram nosso planeta azul, a mesma visão que Gagarin teve, ouvidos por milhões de habitantes, repetiram “No princípio criou Deus os céus e a Terra”. Deus estava lá, Gagarin que estava míope e não O enxergou.

Minha intenção não é mudar sua opinião. Você pode pensar o que quiser, e pode muito bem expressar sua opinião. Mas não posso aceitar uma tremenda demonstração de falta de respeito e de falta de conhecimento. A origem da vida não é comprovada.   Nunca virá de nenhum renomado cientista, comprometido com o estudo, um texto como o do senhor. 

Vou agora fazer o contrário do que o senhor fez. Vou lhe dar o benefício da dúvida. Talvez eu esteja enganado, e o senhor seja extremamente letrado no assunto, uma sumidade em termos de evolucionismo. Nesse caso, gostaria que o senhor respondesse aos seguintes questionamentos:

1-      Como que de uma explosão, algo desorganizado, surgiu todo o universo, que é algo organizado, já que a segunda lei da termodinâmica diz que tudo parte de uma organização para uma desorganização, e não o contrário?

2-      De onde veio toda a energia para que a explosão ocorresse?

3-      Como senhor refuta a afirmação de Einstein, que disse que a probabilidade do universo ter surgido de uma explosão é a mesma de uma biblioteca ser formada à partir da explosão de uma tipografia?

4-      Onde se encontra o ‘Elo Perdido’?

5-      A probabilidade de um composto orgânico recém formado se desintegrar é muito maior do que a probabilidade dele se formar. Se a destruição predomina sobre a formação, como que os aminoácidos da sopa primitiva se organizaram aleatoriamente, se transformando em compostos complexos e em quantidades tão copiosas? Obs: Hoje sabemos que isto é possível, graças à atuação das enzimas catalisadoras e graças á proteção das paredes celulares ao grande responsável por este feito. Porém, nem enzimas nem as paredes celulares estavam disponíveis na sopa primitiva. Como o senhor explica isso?

6-      Em 1968, o professor Harold Morowitz, físico de Yale, lançou um livro chamado “Enegy flow in biology”. Nele, foi feito o cálculo da probabilidade de reações químicas aleatórias formarem uma bactéria. Não um organismo complexo como um ser humano, nem mesmo uma flor, mas uma bactéria unicelular. Baseando seus cálculos numa taxa otimista da velocidade das reações, o tempo estimado para uma bactéria se formar excede não apenas os 4,5 bilhões de anos da suposta idade da Terra, bem como os 15 bilhões de anos da suposta idade do universo inteiro. A probabilidade de processos aleatórios produzirem vida a partir de um caldo primordial de elementos químicos é ainda menos provável do que, após sacudirmos uma omelete, a clara e a gema voltarem à forma original do ovo. Como o senhor refuta esses cálculos? Ou o senhor tem outra explicação?

7-      Para formar as proteínas, são usados vinte tipos diferentes de aminoácidos. A probabilidade de duas cadeias idênticas de proteínas, cada uma com cem aminoácidos, duplicarem-se por acaso é uma em 10^130 <file:///C:\DOCUME~1\MCFT\CONFIG~1\Temp\msohtmlclip11\clip_image002.gif>  Para se atingir as condições de probabilidade para uma proteína ter se desenvolvido por acaso, seria preciso que 10^110 tentativas fossem efetuadas a cada segundo desde o início do tempo. Para se realizar essas tentativas concomitantes, o material para alimentar as reações consumiria 10^90 gramas de carbono. De onde veio todo esse carbono, já que a massa total da Terra (todos os elementos) é 6×10^27 gramas, e10^90 gramas excede em bilhões de vezes a massa estimada de todo o universo?

8-      Na transição do geoquímico para o biológico, onde e como surgiu o material genético?

Estou aguardando ansiosamente por suas respostas dotadas de inúmeras evidências científicas, e transbordantes de conhecimento evolucionista. Para a próxima semana, por favor, prepare algum texto sobre a crise financeira, sobre o caso Cesare Batisti, ou qualquer outro assunto que esteja na sua alçada, e não ofenda mais os meus neurônios.

Não discordo totalmente de você, errar realmente é livre. Não é a toa que sua coluna dessa semana existe e foi publicada.

Sem mais,

Fellipe Petermann Alberto Araújo.

Ps: Seguem algumas indicações de materiais, para o senhor se informar mais sobre o assunto:

Origens, de Dr. Ariel Roth.

A Origem Superior das Espécies, de Roberto Cesar de Azevedo.

Eles Criam em Deus, de Rodrigo P. Silva.

http://www.scb.org.br <http://www.scb.org.br/>

3 comentários em “Criacionismo ou evolucionismo?

  1. Josí disse:

    Nussa, ótimo texto!
    fiquei fã desse cara!

  2. ravick disse:

    Você confunde Astronomia com Biologia. Típico…

  3. vidaamorenegocios disse:

    Não sou o autor:apenas postei no meu blog.Porém,como cientista,vejo biologia na astronomia e vejo astronomia na biologia.Num universo sistêmico a ciência não poderia deixar de ser sistêmica.

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