Cientista pesquisou Jesus por 10 anos e escreveu este livro…

Mais que um Carpinteiro – por Josh McDowell
Josh McDowell pensava que os crentes eram todos “loucos”. Ele os depreciava; discutia com eles,
argumentando contra sua fé.

Mas, eventualmente, descobriu que tais argumentos não tinham consistência. Jesus Cristo
realmente era Deus encarnado. Josh tornou-se um pregador nos meios universitários, desafiando à fé
aqueles que eram tão céticos como ele próprio o fora.

Em Mais Que um Carpinteiro, Josh focaliza a pessoa que transformou sua vida – Jesus Cristo.
Trata-se de uma obra de cunho prático, para pessoas que estão duvidosas com relação à divindade de
Cristo, sua ressurreição, ou suas exigências sobre elas.

O escritor é formado pela universidade Wheaton College, e pelo Talbot Seminary. Desde 1964, ele
tem-se dedicado a proferir palestras, viajando pela América do Norte com o grupo Cruzada Estudantil.
Outros de seus livros são: Evidências que exigem um veredito e Mais evidências que exigem um veredito.

Índice

1. O que torna Jesus tão peculiar Pg. 01
2. Senhor, mistificador ou maluco? Pg. 06
3. E a Ciência? Pg. 08
4. Serão dignos de crédito os escritos bíblicos Pg. 10
5. Quem morreria em defesa de uma mentira? Pg. 14
6. De que vale um Messias morto? Pg. 17
7. Você ouviu o que aconteceu a Saulo? Pg. 19
8. Quem pode segurar um homem bom? Pg. 21
9. O verdadeiro Messias, por favor, levante-se! Pg. 24
10. Será que não existe outro meio? Pg. 27
11. Ele transformou minha vida Pg. 29
Prefácio

Há quase dois mil anos atrás, Jesus entrou na raça humana em uma pequena comunidade judaica.
Era membro de uma família pobre, um grupo minoritário, e viveu em um dos menores países do mundo.
Sua existência foi de apenas trinta e três anos, dos quais somente os três últimos constituíram seu
ministério público.

Entretanto, em quase todo o mundo há pessoas que têm conhecimento dele. As datas nos
cabeçalhos de nossos matutinos, ou nas marcas de copyright nos livros didáticos são testemunhas do fato
de que Jesus foi uma das maiores personalidades que já viveu neste mundo.

Perguntaram ao notável historiador H. G. Wells que pessoa havia deixado, na história do mundo, as
marcas mais indeléveis. Ele respondeu que se apreciássemos a questão sob o aspecto da grandeza do
indivíduo, de acordo com os olhos da história, “por este prisma, o primeiro é Jesus.”

O historiador Kenneth Scott Latourette declarou: “A medida que se passam os séculos, estão
aumentando as evidências de que, se analisado pelo seu efeito sobre a história, Jesus foi a personalidade
mais influente que viveu neste planeta. E sua influência parece estar-se alargando.”

A observação seguinte vem de Ernest Renam: “Jesus foi o maior gênio da religião que já existiu.
Sua beleza é intensa e seu reino nunca terminará. Sob todos os aspectos, Jesus é uma pessoa singular, e
nada se lhe pode comparar. Sem Cristo, a História é incompreensível.”

Cap. 1) O que torna Jesus tão peculiar?

Recentemente, eu falava a um grupo de pessoas em Los Angeles, e perguntei-lhes: “Em sua
opinião, quem é Jesus Cristo?” A resposta foi que ele era um grande guia religioso. Concordei com isso.
Jesus Cristo realmente foi um grande líder religioso. Mas penso que ele não foi apenas isso.

Através dos séculos, a humanidade tem se dividido a propósito desta questão: “Quem é Jesus?” Por
que tanto atrito em torno de um indivíduo? Por que é que este nome, mais que qualquer outro nome de
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qualquer outro guia religioso, suscita tanto conflito? Por que é que quando se fala a respeito de Deus,
ninguém se perturba, mas basta mencionarmos o nome de Jesus, e as pessoas logo querem encerrar a
conversa? Ou então colocam-se na defensiva. Certa vez comentei qualquer coisa a respeito de Cristo com
um motorista de taxi em Londres, e imediatamente ele disse: “Não gosto de discutir religião,
principalmente se for para falar de Jesus Cristo.”

Por que é que, em se tratando de Jesus, a situação difere da de outros líderes religiosos? Por que os
nomes de Buda, Maomé ou Confúcio não “agridem” as pessoas? A razão é que estes outros homens não
declararam que eram Deus, e Jesus o fez. E é este ponto que o torna tão distinto dos outros guias
religiosos.

Não demorou muito para que o povo que conheceu Jesus reconhecesse que ele fazia declarações
contundentes a respeito de si mesmo. Logo ficou claro para seus ouvintes que suas proclamações o
identificavam não apenas como um novo profeta ou mestre, mas como um homem que era mais que isso.
Ele fazia alusões claras à sua divindade. Estava-se apresentando como a única via de ligação que
possibilitava um relacionamento do homem com Deus, o único recurso para o perdão dos pecados, e o
único caminho para a salvação.

Para muitas pessoas isto é por demais exclusivístico, é uma situação muito drástica, para que
acreditem nela. Entretanto, a questão não é o que queremos pensar ou crer, mas, antes, quem Jesus se
declarava ser.

O que os documentos do Novo Testamento esclarecem acerca desse assunto? Muitas vezes
escutamos a expressão: “A divindade de Cristo”. Isto significa que Jesus Cristo é Deus.

O teólogo A. H. Strong, em sua obra Teologia Sistemática, define Deus da seguinte maneira: “Um
espírito infinito e perfeito, em quem todas as coisas têm sua origem, existência e fim.”1 Esta definição de
Deus é adequada para todos os deístas, incluindo maometanos e judeus. O deísmo ensina que Deus é uma
pessoa e que o universo foi planejado e criado per ele. E, atualmente, Deus o governa e sustenta. O
deísmo cristão acrescenta uma nota a definição enunciada acima: “…e se manifestou em carne, na pessoa
de Jesus de Nazaré.”

Na verdade, Jesus Cristo é um nome e um título. O nome Jesus deriva da forma grega do vocábulo
Jeshua, ou Josué, e que significa “Jeová é Salvador”, ou “o Senhor salva”. O título Cristo deriva da forma
grega do vocábulo Messias (ou do hebraico Mashiah – Dn 9.26), que significa o “Ungido”. O emprego
deste título, Cristo, fala de dois encargos, rei e sacerdote. Ele apresenta Jesus como o prometido sacerdote
e rei das profecias do Velho Testamento. Esta apresentação é ponto vital para uma compreensão adequada
de Jesus e do cristianismo.

O Novo Testamento apresenta Cristo como Deus. Os nomes a ele aplicados no Novo Testamento
são tais, que somente poderiam ser aplicados, com justiça, a alguém que fosse Deus. Por exemplo: Jesus é
chamado de Deus no verso seguinte: “Aguardando a bendita esperança e a manifestação do nosso
grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2.13; comparar com Jo 1.1; Hb 1.8; Rm 9.5 e 1Jo 5.20,21). As
Escrituras lhe atribuem características que só podem ser verdadeiras se aplicadas a Deus. Jesus é
apresentado como um ser de subsistência própria (Jo 1.4; 14.6); um ser onipresente (Mt 28.20; 18.20);
onisciente (Jo 4.16; 6.64; Mt 17.22-27); onipotente (Ap 1.8; Lc 4.39-55; 7.14,15; Mt 8.26, 27), e como
possuindo vida eterna (1Jo 5.11, 12, 20; Jo 1.4).

Jesus recebeu honrarias e adoração somente devidas a Deus. Em um confronto com Satanás, ele
disse: “Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto.” Contudo, Jesus aceitou
adoração como Deus (Mt 14.33; 28.9), e algumas vezes demandou ser adorado como Deus (Jo 5.23;
comparar com Hb 1.6; Ap 5.8-14).

A maioria dos seguidores de Jesus eram judeus de profundas convicções religiosas, que
acreditavam em apenas um Deus verdadeiro. Eram monoteistas até o fundo da alma, e, no entanto,
reconheceram-no como o Deus encarnado.

Devido à sua profunda formação rabínica, o apóstolo Paulo ainda teria menos probabilidade de
atribuir divindade a Jesus, de adorar um homem de Nazaré e chamá-lo Senhor. Mas foi exatamente o que
ele fez. Reconheceu o cordeiro de Deus (Jesus) como sendo Deus ao dizer: “Atendei por vós e por todo o
rebanho sabre o qual o Espirito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual
ele comprou com seu próprio sangue.”

Respondendo a pergunta de Cristo sobre quem era ele (Cristo), Pedro fez a seguinte declaração:
“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. E a reação de Jesus a esta confissão de Pedro não foi uma palavra
de correção quanto a justeza de sua afirmação, mas antes um reconhecimento da veracidade dela e a fonte
da revelação: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne nem sangue quem te revelou,
mas meu Pai que está nos céus.” (Mt 16.17)

Marta, uma amiga de Jesus, disse-lhe: “Eu tenho crido que tu és o Cristo (Messias) o Filho de
Deus que devia vir ao mundo.” (Jo 11.27) E há também Natanael, o qual pensava que nada de bom

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poderia provir de Nazaré. Ele reconheceu que Jesus era: “O Filho de Deus; o Rei de Israel.”

Enquanto Estevão estava sendo apedrejado, invocava e dizia: “Senhor Jesus, recebe o meu
espirito.” (At 7.59) O autor da carta aos Hebreus chama Cristo de Deus ao dizer: “Mas, acerca do Filho:
O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre.” (Hb 1.8) João Batista anunciou a vinda de Cristo afirmando:
“E o Espirito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és

o meu Filho amado, em ti me comprazo.”
E também temos, naturalmente, a confissão de Tomé, mais conhecido como o “duvidoso”. Talvez
ele fosse um desses estudantes de pós-graduação, pois declarou: “Não acreditarei enquanto não puser o
dedo na cicatriz dos cravos.” Compreendo esta atitude de Tomé. O que ele dizia era: “Ora, não é todo dia
que uma pessoa ressuscita dentre os mortos, ou se declara ser Deus encarnado. Preciso de maiores
evidências.” Oito dias depois, após ele haver exposto suas dúvidas acerca de Jesus perante os outros
discípulos, “estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco. E
logo disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no meu
lado; não sejas incrédulo mas crente. Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! Disse-lhe Jesus:
Porque me viste, creste? Bem aventurados os que não viram e creram”. (Jo 20.26-29) Jesus aceitou a
afirmação de Tomé que se dirigiu a ele como Deus. Ele repreendeu o apóstolo por sua incredulidade, mas
não por sua atitude de adoração.

A esta altura, algum crítico pode objetar que todas estas referências são de terceiros opinando sabre
Cristo, e não do próprio Cristo falando acerca de si mesmo. O argumento geralmente apresentado em
salas de aula é que o povo do tempo de Cristo entendeu-o erradamente, assim como nós fazemos na
atualidade. Em outras palavras, Jesus realmente não se declarou ser Deus.

Bem, creio que ele o fez, e creio que a prova da divindade de Cristo pode ser extraída diretamente
das páginas do Novo Testamento. As referências são inúmeras e seu significado é bastante claro.

Um certo homem de negócios examinou as Escrituras para verificar se Cristo se proclamava ser
Deus e disse: “Qualquer pessoa que ler o Novo Testamento e não chegar a conclusão de que Jesus
declarou sua divindade, deve ser tão cego quanto outro que estivesse na rua, num dia ensolarado, e
dissesse não estar enxergando o sol.”

No Evangelho de João temos a descrição de um confronto entre Jesus e alguns judeus. O atrito foi
originado pela cura de um aleijado, efetuada por Jesus num sábado, sendo que Jesus dissera ao homem
que tomasse o leito e se fosse. “E os judeus perseguiam a Jesus, porque fazia estas coisas no sábado.
Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. Por isso, pois, os judeus ainda
mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu
próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.” (Jo 5.16-18)

Alguém pode dizer o seguinte: “Olhe aqui, até eu posso dizer: “Meu Pai trabalha até agora, e eu
trabalho também.” E dai? Isto não prova nada.” Sempre que estamos estudando um documentos destes,
temos que levar em conta a linguagem, a cultura e principalmente a pessoa ou pessoas a quem foi
dirigido. No caso em foco, a cultura é a judaica; e as pessoas a quem foi dirigida a declaração são líderes
religiosos dos judeus. Vejamos como eles entenderam as observações de Jesus, há dois mil anos atrás, no
contexto de sua própria cultura. “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não
somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.”
(Jo 5.18) Por que uma reação tão drástica?

A razão é que Jesus disse “meu Pai”, e não “nosso Pai”, e depois acrescentou: “trabalha até
agora”. O fato de ele haver pronunciado estas duas frases colocava-o em igualdade de condições com
Deus, e no mesmo plano de atividades. Os judeus não se referiam a Deus como “meu Pai”. Ou então, se o
fizessem, restringiriam mais a declaração acrescentando “celeste”. Entretanto, Jesus não fez isso. Quando
ele chamou a Deus “meu Pai”, fez um pronunciamento que os judeus não poderiam interpretar de outra
forma. Além disso, o Senhor deu a entender que, enquanto Deus estava trabalhando, ele, o Filho,
trabalhava também. E nessa frase, outra vez os judeus compreenderam a implicação de que ele era o Filho
de Deus. Como conseqüência desta afirmação, o ódio deles se acirrou. Embora estivessem querendo antes
de tudo persegui-lo, começaram a pensar em matá-lo.

Jesus não somente reivindicara uma igualdade com Deus, como seu Pai, mas também declarava
que era um com o Pai. Durante a Festa da Dedicação, em Jerusalém, ele foi procurado por alguns líderes
que lhe indagaram acerca de ser ele o Cristo. Jesus encerrou seu comentário dizendo: “Eu e o Pai somos
um.” (Jo 10.30) “Novamente pegaram os judeus em pedras para lhe atirar. Disse-lhes Jesus: Tenho-vos
mostrado muitas obras boas da parte do Pai; por qual delas me apedrejais? Responderam-lhe os judeus:
Não é por obra boa que te apedrejamos, e, sim, par causa de blasfêmia, pois sendo tu homem, te fazes
Deus a ti mesmo.” (Jo 10.31-33)

Alguém pode espantar-se ao ver uma reação tão forte para com o fato de Jesus haver afirmado ser
um com o Pai. Uma implicação interessante desta frase vem a tona quando estudamos o texto grego. O

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estudioso do grego, A. T. Robertson, explica que este “um” no grego, é neutro, e não masculino, e indica
uma unidade, não de pessoa ou de propósito, mas, antes, de “essência ou natureza”. E depois, Robertson
acrescenta: “Esta forte declaração é o clímax das proclamações de Cristo acerca da relação existente entre

o Pai e ele (o Filho). Estas proclamações agitaram os fariseus, levando-os a uma cólera incontrolável.”2
Fica evidente, portanto, que para aqueles que ouviram esta afirmação de Jesus não havia dúvida de
que ele se proclamava ser Deus. Assim, escreve Leon Morris, diretor do Ridley College, de Melboume:
“Os judeus só podiam entender as palavras de Jesus como uma enorme blasfêmia, e decidiram-se a tomar
o julgamento dele em suas próprias mãos. Decretava a Lei mosaica que a blasfêmia fosse punida com o
apedrejamento (Lv 24.16). Mas aqueles homens não queriam permitir que os devidos processos da Lei
seguissem o seu curso natural. Não prepararam uma acusação formal, para que as autoridades pudessem
tomar a ação necessária. Em seu furor, estavam-se preparando para serem juiz e executores a um só
tempo.”3

E Jesus é ameaçado com apedrejamento por crime de “blasfêmia”. Está claro que os judeus
entenderam suas palavras, mas podemos perguntar: “Será que eles pararam para averiguar a veracidade
delas?”

Jesus falou várias vezes de si mesmo como sendo um com Deus em essência e natureza. Ele
afirmou com ousadia: “Se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai” (Jo 8.19); “E quem me
vê a mim, vê aquele que me enviou” (Jo 12.45); “Quem me odeia, odeia também a meu Pai” (Jo 15.23);
“A fim de que todos honrem o Filho, do modo por que honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra

o Pai que o enviou” (Jo 5.23); etc.
Todas estas referências indicam com clareza que Jesus apresentava-se a si mesmo não como um
mero homem; antes ele era igual a Deus. E aqueles que pensam que Jesus era somente uma pessoa que
gozava de intimidado com Deus e que estava muito perto dele, meditem nessa declaração: “Se não
honrais mim como honrais ao Pai, desonrais a um e outro”.

Certa ocasião, eu proferia uma série de palestras num curso de literatura da Universidade de West
Virgínia, e um professor interrompeu-me e disse que o único Evangelho que registrava palavras de Jesus,
em que ele declarava ser Deus, era o de João, o último a ser escrito. A seguir, disse que o Evangelho de
Marcos, o primeiro a ser escrito, nunca menciona um pronunciamento de Cristo no qual ele declare ser
Deus. Era óbvio que aquele homem nunca lera Marcos, ou, se o lera, não prestara muita atenção ao texto.

Para responder a ele, abri o livro de Marcos. Ali Jesus proclamava sua autoridade para perdoar
pecados. “Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados”. (Mc 2.5;
ver também Lc 7.48-50). Pela lei judaica isto era algo que somente Deus poderia fazer; Isaías 43.25
restringe esta prerrogativa apenas a Deus. Os escribas perguntaram: “Por que fala ele deste modo? Isto é
blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?” (Mc 2.7) E então Jesus indagou o que
seria mais fácil dizer: “Teus pecados estão perdoados”, ou “Levanta-te e anda”.

De acordo com o comentarista bíblico da Wycliff, esta é uma “pergunta irrespondível”. As duas
frases são ambas fáceis de serem pronunciadas mas para transformar qualquer uma das duas num ato
concreto, requer um poder divino. Naturalmente, um impostor, fugindo a um desmascaramento, acharia a
primeira fórmula mais simples. Jesus procedeu a cura da enfermidade para que os homens soubessem que
ele possuía autoridade para cortar também a raiz dela.”4 Por isso, ele foi acusado, pelos líderes religiosos,
de blasfemar. Lewis Sperry Chafer escreve que “ninguém na terra tem autoridade nem direito de perdoar
pecados. Ninguém pode perdoar pecados senão aquele contra quem eles foram cometidos. Quando Cristo
perdoou o pecado, como certamente ele o fez, não estava exercitando uma prerrogativa humana. E como
ninguém, a não ser Deus, pode perdoar pecados, está conclusivamente demonstrado que Cristo é Deus,
pois perdoou pecados.”5

Este conceito de perdão importunou-me por algum tempo, pois eu não o entendia. Certo dia, numa
classe de filosofia, respondendo a uma pergunta acerca da divindade de Cristo, citei os versos de Marcos,
mencionados acima. Um assistente da cátedra contestou minha conclusão de que o perdão concedido por
Cristo demonstrava sua divindade. Disse que ele próprio poderia perdoar alguém, e aquilo não significaria
que ele se proclamava ser Deus. Enquanto eu meditava no que ele dissera, ocorreu-me a razão porque os
líderes religiosos reagiram contra Cristo. É verdade, qualquer um pode dizer: “Eu o perdôo”, mas isto só
pode ser feito pela pessoa contra quem o erro foi cometido. Em outras palavras, se alguém pecar contra
mim, eu posso dizer “Eu o perdôo”, mas não era isso que Cristo estava fazendo naquele momento. O
paralítico pecara contra Deus, o Pai, e então Jesus, em sua própria autoridade, disse: “Teus pecados estão
perdoados.” Realmente; podemos perdoar ofensas cometidas contra nós, mas de forma alguma ninguém
pode perdoar pecados cometidos contra Deus, a não ser o próprio Deus. E foi isso que Jesus fez.

Não admira que os judeus tenham reagido com tamanha intensidade ao ver um carpinteiro de
Nazaré fazer uma declaração tão audaciosa. Esta autoridade de Jesus para perdoar pecados é um
admirável exemplo de seu exercício de uma prerrogativa que pertence unicamente a Deus.

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Ainda no Evangelho de Marcos, temos o julgamento de Jesus (14.60-64). As ocorrências daquele
julgamento são uma das mais claras referências à proclamação que Jesus fazia de sua divindade.
“Levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem
contra ti? Ele, porém, guardou silêncio, e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote, e lhe
disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus bendito? Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do homem
assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu. Então o sumo sacerdote rasgou as
suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia: que vos parece?
E todos o julgaram réu de morte.” (Mc 14.60-64)

A principio, Jesus não queria responder, e então o sumo sacerdote colocou-o sob juramento. E sob
juramento era obrigado a responder (e como fico contente que ele o tenha feito). Jesus respondeu a
pergunta: “És tu o Cristo, o Filho do Deus bendito?” com as palavras: “Eu sou”.

Uma análise do testemunho de Cristo mostra que ele se declarou ser: 1) o Filho do Deus bendito; 2)
aquele que se sentaria a mão direita do Todo-Poderoso, e 3) o Filho do homem que viria com as nuvens
do céu. Cada uma destas afirmações é de conteúdo definidamente messiânico. O efeito de uma
combinação das três é de grande significado. O Sinédrio, ou seja, a corte judaica, percebeu os três pontos,
e o sumo sacerdote reagiu rasgando suas roupas e dizendo: “Que necessidade temos de mais
testemunhas?” Por fim, eles próprios ouviram dele aquela declaração. E o Senhor foi condenado pelas
palavras de sua boca.

Robert Anderson afirma: “Nenhuma evidência confirmatória é mais convincente do que a de uma
testemunha contrária, e o fato de que o Senhor proclamava sua divindade é incontestavelmente
estabelecido pela própria ação de seus inimigos. Devemos lembrar-nos de que os judeus não eram uma
tribo de selvagens ignorantes, mas um povo de cultura elevada, profundamente religioso, e foi por causa
desta acusação, passada sem um voto de dissensão, que ele foi condenado a morte pelo Sinédrio – o alto
concílio nacional dos judeus, composto de seus mais eminentes líderes, inclusive homens como Gamaliel
e seu notável pupilo, Saulo de Tarso.”6

Está claro, portanto, que este é o testemunho que Jesus queria dar a respeito de si mesmo. Vemos
também que os judeus entenderam sua resposta como uma declaração de que era Deus. Havia então duas
alternativas possíveis: que suas declarações eram blasfêmias, ou então que ele era Deus. Seus juízes
enxergaram largamente a questão – e tal era a clareza que o crucificaram e depois zombaram dele
dizendo: “Confiou em Deus… porque disse: Sou Filho do Deus.” (Mt 27.43)

O comentarista H.B. Swete explica o significado do fato de haver o sumo sacerdote rasgado suas
roupas. “A lei proibia ao sumo sacerdote rasgar suas roupas em um conflito particular (Lv 10.6; 21.10),
mas quando atuasse como juiz, as tradições exigiam que ele expressasse deste modo seu horror por
qualquer blasfêmia que fosse pronunciada em sua presença. O alívio do juiz está manifesto. Se não
surgissem outras provas fortes, também não seriam mais necessárias: o próprio Prisioneiro se
incriminara.”7

Começamos a perceber que aquele não foi um julgamento comum, como bem argumenta o
advogado Irwin Linton: “Singular entre os processos criminais é este, em que se acha em jogo não as
ações do acusado, mas, sim, sua identidade. A acusação criminal formulada contra Cristo, a confissão e o
testemunho, ou antes, o ato presenciado pelo tribunal, com base no qual ele foi condenado, o
interrogatório levado a efeito pelo governador romano, e a inscrição e a proclamação feitas par ocasião da
execução, tudo está apenas relacionado com a questão da identidade e dignidade de Cristo. “Que pensais
do Cristo? De quem é ele filho?”8

O Juiz Gaynor, o notável jurista de Nova York, em seu comentário acerca do julgamento de Cristo,
toma a posição de que blasfêmia foi a única acusação feita contra ele, perante o sinédrio. Ele diz: “Está
claro, pelas narrativas dos Evangelhos, que o suposto crime pelo qual Jesus foi julgado e condenado foi
blasfêmia: …ele estivera alegando possuir poder sobrenatural, o que, em um ser humano, era blasfêmia”9
(citando Jo 10.33). (Gaynor faz referência ao fato de Jesus “fazer-se igual a Deus” e não ao que ele disse
acerca do Templo.)

Na maioria dos casos, as pessoas são julgadas por atos que praticaram, mas não foi o que aconteceu
com Cristo. Jesus foi julgado por causa de quem ele era.

O julgamento de Jesus deve ser a prova suficiente que demonstra convincentemente que ele
confessou sua divindade. Seus juízes dão testemunho disso. Além disso, no dia da sua crucificação seus
inimigos reconheceram que ele se declarara ser Deus encarnado. “De igual modo os principais
sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode
salvar-se. É rei de Israel. desça da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se
de fato lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus.” (Mt 27. 41-43)

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Cap. 2) Senhor, mistificador ou maluco?
As claras alegações que Jesus fez de que era Deus eliminam o popular argumento dos céticos que o
consideram apenas como um homem bom e moralista, ou como um profeta que pronunciou muitas
verdades profundas. Muitas vezes esta conclusão é exibida como sendo a única plausível, para os
eruditos, ou então, como resultado de um processo intelectual. O problema é que muitas pessoas acenam
afirmativamente, concordando com ela, mas nunca vêem a falácia de tal arrazoado.

Para Jesus, era de importância fundamental o que os homens criam que ele era. Tendo dito o que
disse, e afirmado o que afirmou acerca de si mesmo, não podemos dizer que ele era um homem bom ou
um profeta. Esta alternativa não se acha diante de nós para uma escolha, e nunca foi intenção de Deus que
assim fosse.

O escritor C. S. Lewis que era professor da Universidade de Cambridge e inicialmente um
agnóstico, entendeu esta questão perfeitamente. Ele escreveu: “Quero aqui evitar que alguém expresse
esta grande insensatez que certas pessoas tantas vezes repetem a respeito de Jesus: “Estou pronto a aceitar
Jesus como um grande mestre moralista, mas não aceito sua alegação de que era Deus.” Aí está uma coisa
que não podemos dizer. Um homem que fosse apenas um homem, e dissesse as coisas que Jesus disse,
não poderia ser um grande mestre moralista. Ou era um louco – e portanto se acha no mesmo plano
daquele que se afirma ser um ovo cozido – ou então, era um demônio do inferno. Cada um tem que fazer
sua escolha. Ou este homem era, e é o Filho de Deus, ou então era louco, ou coisa pior.”

E depois, Lewis acrescenta: “Você pode silenciá-lo, julgando-o tolo; pode cuspir nele e matá-lo,
julgando-o um demônio; ou então, cair a seus pés e chamá-lo Senhor e Deus. Mas não me venha com
tolices condescendentes, afirmando ser ele um grande mestre humanista. Ele não nos deixou esta
alternativa. Não era sua intenção fazê-lo.”1

O teólogo F. J. A. Hort, que fez um exame crítico do Novo Testamento, trabalhando nele durante
vinte e oito anos, escreve: “Suas palavras eram, de forma tão absoluta, uma característica dele e
manifestações de sua personalidade, que não fariam nenhum sentido, se consideradas como afirmações
abstratas da verdade, feitas por ele, na posição de oráculo divino ou profeta. Tire-se a pessoa dele como o
objeto primário (embora não o final) de cada uma de suas asserções, e elas caem por terra.”2

Nas palavras de Kenneth Scott Latourette, professor de História do Cristianismo da Universidade
de Yale, nos Estados Unidos: “Não são os ensinamentos de Jesus que o tornam tão notável, embora eles
sejam suficientes para dar-lhe proeminência. É uma combinação dos ensinamentos dele com sua pessoa.
Os dois elementos não podem ser dissociados.” E depois conclui: “Deve estar claro, para qualquer leitor
atento dos registros do Evangelho, que Jesus considerava sua mensagem como impossível de ser
destacada de si mesmo. Ele foi um grande mestre, mas não apenas isto. Seus ensinos acerca do Reino de
Deus, da conduta humana, e acerca de Deus, eram muito importantes, mas não poderiam ser divorciados
dele sem que, segundo sua opinião, fossem distorcidos.”3

Jesus se declarava ser Deus. E ele não deixou nenhuma outra opção de escolha. Sua proclamação
deve ser verdadeira ou falsa, por isso ela constitui um conceito que merece profunda consideração. A
pergunta que Jesus dirigiu aos seus discípulos: “Mas vós, quem dizeis que eu sou?” tem várias
alternativas.

Vejamos, primeiramente, a hipótese de que sua alegação de que é Deus seja falsa. Se era falsa,
então temos duas, e somente duas opções. Ou ele sabia que era falsa, ou não sabia. Consideremos dada
uma separadamente, e examinemos as evidências.

Ele era um mistificador?

Se, ao fazer a declaração de que era Deus, ele sabia que não era, então estava mentindo e
enganando deliberadamente a seus seguidores. Mas, se era enganador, então era também hipócrita, porque
disse aos outros que fossem honestos, custasse o que custasse, enquanto ele próprio divulgava e vivia uma
mentira colossal. Mais que isso, ele era um demônio, pois dizia aos outros que confiassem a ele seu
destino eterno. Se não podia apoiar suas declarações, e sabia disso, então ele era indescritivelmente
maligno. Por último, ele seria também um tolo, porque foi sua afirmação de que era Deus que provocou
sua crucificação.

Muitos dirão que Jesus era um grande mestre moralista. Sejamos realistas. Como poderia ele ser
um grande mestre moralista, e conscientemente, enganar o povo, exatamente com relação ao ponto
máximo de seu ensino – sua identidade?

Teríamos que concluir logicamente que ele era um deliberado mentiroso. Entretanto, esta imagem
de Jesus não coincide com o que sabemos dele, ou das conseqüências de seu ensino e sua vida. Em toda
parte em que seu nome é proclamado, vidas têm sido transformadas e países têm alcançado progresso,

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ladrões tornam-se homens honestos, alcoólatras são curados, indivíduos odiosos se tornam canais de
amor, pessoas iníquas se tornam justas.

William Lecky, um dos mais notáveis historiadores da Grã-Bretanha e um zeloso combatente do
cristianismo organizado, escreve: “Foi reservado ao cristianismo o ensejo de apresentar ao mundo um
caráter ideal, que, através de todas as variações de dezoito séculos, tem inspirado o coração dos homens
com um amor ardente; tem se mostrado capaz de operar em todas as épocas, nações, temperamentos e
condições de vida; e tem sido não apenas o mais elevado tipo da virtude, mas o maior incentivo à prática
dela… Um registro simples desses três curtos anos de vida ativa tem feito mais para regenerar e amenizar
a humanidade que todos os tratados filósofos e as exortações dos moralistas.”4

O historiador Phillip Schaff diz: “Este testemunho, se não for verdadeiro, é a mais absoluta loucura
ou blasfêmia. Mas esta hipótese não subsiste um instante sequer, num confronto com a pureza moral e a
dignidade de Jesus, reveladas em cada palavra e obra sua, e reconhecidas pelo consenso universal. A
hipótese de um “auto-engano” numa questão tão momentosa, tendo um intelecto, sob todos os aspectos,
tão lúcido e sadio, está igualmente fora de cogitação. Como poderia ser um visionário ou louco, um
homem que nunca perdeu o equilíbrio mental, que sobrepujou tranqüilamente todas as dificuldades e
perseguições, como um sol brilhando acima das nuvens, que sempre dava as respostas mais sábias as
perguntas mais ardilosas, que calma e deliberadamente predisse sua morte na cruz, sua ressurreição ao
terceiro dia, o derramamento do Espírito Santo, a fundação de sua igreja, a destruição de Jerusalém -
predições estas que se cumpriram literalmente? Um caráter tão original, completo, tão uniformemente
consistente e perfeito, tão humano, e ao mesmo tão superior a todas as grandezas humanas, não pode ser
fraude nem ficção. Nesse caso, como bem disse alguém, o poeta seria superior ao seu herói. Seria preciso
mais que um Jesus para criar um Jesus.”5

Em outra parte ele acrescenta uma convincente argumentação contra a hipótese de ser Jesus um
mistificador. “Como é que – em nome da lógica, do bom senso e da experiência – poderia um impostor, -
que é um enganador, egoísta e depravado – haver criado e mantido com grande consistência, do começo
ao fim, o caráter mais puro e mais nobre conhecido na História, com o mais perfeito aspecto de verdade e
realidade? Como poderia ele ter concebido e executado, com todo sucesso, um plano de inigualável
beneficência, grandeza moral e sublimidade, e ainda sacrificado sua vida por ele, em face dos inúmeros
preconceitos de seu povo e sua época?”6

Se Jesus queria que o povo o seguisse e acreditasse nele como sendo Deus, por que foi ao povo
judeu? Por que apresentar-se como um carpinteiro nazareno a um país tão pequenino em tamanho e
população, e tão completamente apegado à idéia da unidade indivisível de Deus? Por que não foi ele para

o Egito, ou ainda melhor, para a Grécia, onde o povo acreditava em vários deuses e em variadas
manifestações deles?
Uma pessoa que vivia como Jesus viveu, ensinava o que ele ensinou, e morreu como ele morreu,
não poderia ter sido um mentiroso. Que outras alternativas há?

Seria ele um louco?

Se é inconcebível que Jesus fosse mentiroso, não seria possível então que ele pensasse realmente
que era Deus, mas que estivesse enganado? Afinal, é possível uma pessoa ser sincera e estar errada.
Devemos lembrar-nos de que para um homem acreditar que ele é Deus, principalmente vivendo numa
cultura tão acentuadamente monoteística como a dele, e ainda dizer aos outros que seu destino eterno
dependia de uma crença nele, é preciso mais que um simples lampejo de fantasia; é preciso ter os
pensamentos de um louco no sentido mais completo da palavra. Será que Jesus era tal pessoa?

Uma pessoa que pensa que é Deus é como alguém que hoje se acredita ser Napoleão. Ela estaria
iludida, enganando a si própria, e, provavelmente, seria encerrada num manicômio para não causar
maiores danos a si própria ou a outrem. Entretanto, em Jesus não enxergamos nenhuma anormalidade
nem os desequilíbrios que geralmente acompanham tais casos de insanidade. Se ele fosse louco, o
equilíbrio e a compostura que sempre demonstrou teriam sido admiráveis.

Os psiquiatras Noyes e Kolb, numa publicação médica,7 descrevem o esquizofrênico como uma
pessoa mais autista que realista. O esquizofrênico procura escapar ao mundo da realidade. Encaremos os
fatos: um homem que se declara ser Deus certamente não está fugindo à realidade.

A luz de outros conhecimentos que possuímos acerca de Jesus, é difícil imaginar que ele era um
perturbado mental. Ali estava um homem que formulou alguns dos mais profundos pensamentos já
registrados neste mundo. Seus ensinamentos já libertaram muitas pessoas que se encontravam em
cativeiro mental. Clark H. Pinnock pergunta: “Estaria ele enganado acerca de sua grandeza? Seria ele um
paranóico, um impostor inconsciente, um esquizofrênico? A sutileza e a profundidade de seus ensinos
defendem antes a hipótese de uma total clareza de mente. Oxalá pudesse-mos ser tão sãos quanto ele!”8

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Um aluno de uma Universidade da Califórnia contou-me que seu professor de psicologia disse à classe
que bastava ele pegar uma Bíblia e ler textos dos ensinos de Cristo para seus pacientes. Isto era tudo de
que eles precisavam.

O psiquiatra J. T. Fisher afirma: “Se fôssemos fazer uma soma total de toda a matéria de cunho
oficial que já foi escrita pelos mais renomados psicólogos e psiquiatras a respeito da questão da higiene
mental – se fôssemos reunir tudo, passando-a por um crivo e retirando o excesso de palavreado – e se
retirássemos desse material toda a “carne”, deixando de lado a “salsinha”, e se pudéssemos expressar
concisamente estas porções de conhecimento científico puro, na linguagem dos mais eminentes poetas
vivos, teríamos um resumo, embora incompleto e desajeitado, do Sermão do Monte. E se comparados um
e outro, o primeiro perderia bastante. Pois, há quase dois mil anos, o mundo cristão tem segurado em suas
mãos a solução para suas inquietações e improdutividades. Aqui… encontramos a receita para o sucesso
humano com otimismo, mente sadia e contentamento.”9

C. S. Lewis escreve: “É muito improvável encontrar-se uma explicação histórica para a vida, o
ensino e a influência de Cristo que seja mais aceitável que a fornecida pelo cristianismo. Nunca foi
satisfatoriamente explicada a discrepância que existe entre a profundidade e a sanidade psíquica… de seus
ensinos morais e a terrível megalomania que deve ter inspirado seu ensino teológico, se não fora ele Deus.
Donde as hipóteses não cristãs se sucederem umas às outras com a inquieta produtividade que é fruto de
um desnorteamento total.”10
E Phillip Schaff argumenta: “Será que tal intelecto – sempre clara como o cristal, revigorante como

o ar da montanha, agudo e penetrante coma uma espada, totalmente sadio e vigoroso, sempre pronto, e
sempre no perfeito controle de si mesmo – seria ele possível de cometer um engano tão radical e dos mais
sérios com relação ao seu próprio caráter e missão? Que pensamento terrível!”6
Era ele Senhor?

Eu, pessoalmente, não posso concluir que Jesus era um mentiroso. A única alternativa que me resta
é a de que ele era o Cristo, o Filho de Deus, como declarou.

Quando debato este assunto com algum judeu, a resposta da maioria deles é extremamente
interessante. Geralmente me dizem que Jesus foi um líder religioso, um homem justo, correto, um bom
homem e um profeta. Então menciono para eles as declarações de Cristo a seu respeito, e os argumentos
apresentados neste capitulo (de que era louco, mentiroso ou Senhor). Quando lhes indago se acreditam
que ele era um enganador, a resposta e um pronto: “Não!” Então pergunto: “Você crê que ele era louco?”
e a resposta é: “Lógico que não!” “Você crê que ele é Deus?” E antes mesmo que eu respire para recobrar

o fôlego, escuto a resposta veemente: “Absolutamente!” Contudo, existem apenas estas três opções.
O problema destas três alternativas não é que sejam impossíveis, pois está claro que todas as três
são possíveis. Mas antes, a questão é: “Qual delas é a mais provável?” Nossa decisão sobre quem é Jesus
Cristo não pode repousar sabre um simples exercício intelectual. Não podemos rotulá-lo de grande mestre
e moralista. Esta opção não é válida. Ele é um mistificador ou um louco, ou então nosso Senhor é Deus.
Cada um tem que fazer sua própria escolha. “Mas”, como escreveu o apóstolo João: “Estes… foram
registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e” – mais importante – “para que,
crendo, tenhais vida em seu nome.” (Jo 20.31)

As evidências, claramente, pendem em favor de Jesus como Senhor. Todavia, algumas pessoas
rejeitam estas evidências claras por causa de implicações morais envolvidas na questão. Não desejam
encarar as responsabilidades ou implicações decorrentes do ato de chamá-lo Senhor.

Cap. 3) E a Ciência?

Muitas pessoas tentam esquivar-se de uma consagração pessoal a Cristo, expressando a idéia de
que, se uma hipótese não puder ser provada científicamente, ela não é verdadeira, ou não merece ser
aceita. E como ninguém pode provar a divindade de Jesus científicamente, nem sua ressurreição, então os
indivíduos do século XX têm mais o que fazer do que aceitar Cristo como Salvador ou acreditar em sua
ressurreição.

Freqüentemente, em aulas de Filosofia ou História é-me proposta a seguinte questão: “Você pode
provar o fato científicamente?” Em geral, eu respondo: “Bem, não; não sou cientista.” Então ouvem-se
risos pela classe, e várias vozes que murmuram: “Então não venha falar sabre isto”, ou “Está vendo?
Querem que aceitemos tudo pela fé” (querendo dizer fé cega).

Recentemente, numa viagem para Boston, eu conversava com o passageiro que viajava a meu lado
no avião, dizendo-lhe por que eu acreditava que Cristo é quem ele disse ser. O piloto, que fazia sua ronda

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de boas-vindas, ouviu parte da conversa. “Mas aí existe um problema”, disse ele. “Qual e?” indaguei.
“Ninguém pode provar isto científicamente”, replicou.

O nível a que desceu a moderna mentalidade humana é estarrecedor. Por alguma razão, agora no
século XX, existem inúmeras pessoas que apoiam esta idéia de que, se não é possível provar-se uma
noção qualquer científicamente, então ela não é verdadeira. Bem, essa idéia é que não é verdade! Há um
problema em provar-se qualquer coisa acerca de pessoas ou eventos históricos. Precisamos entender a
diferença entre prova científica e o que eu denomino prova histórica judicial. Deixe-me explicar.

A prova científica baseia-se na demonstração de que algo é fato pela repetição do experimento em
presença do indivíduo que o questiona. Existe então um ambiente controlado onde se podem fazer
observações, chegar a conclusões, e testar hipóteses empiricamente.

“O método científico, ou como quer que seja definido, é dependente da avaliação de fenômenos e
experimentos, ou de observação repetida.”1 O Dr. James B. Conant, antigo diretor da Universidade de
Harvard, escreve: “A ciência consiste numa série de conceitos interrelacionados e em esquemas
conceituais, que surgiram como resultantes de experimentos e observações, e podem produzir outros
experimentos e observações.”2

Uma das principais técnicas do moderno método científico é testar a veracidade de uma hipótese
pelo emprego de experimentos controlados. Por exemplo; alguém diz: “O pau-ferro não flutua na água.”
Então eu levo a pessoa à cozinha; encho a pia de água a 25 ºC, e deixo cair ali dentro um padeço de pau-
ferro. Observamos o fenômeno, compilamos os dados, e a hipótese é averiguada empiricamente: “O pau-
ferro flutua.”

Porém, se o método científico fosse o único meio de se provar qualquer coisa, você não poderia
provar, por exemplo, quem foi a aula ou ao trabalho hoje pela manhã, ou que almoçou. É totalmente
impossível repetir tais eventos numa situação controlada.

Então, vemos aqui o que é a prova histórica, que se baseia na demonstração de que um fato
realmente ocorreu, sem qualquer dúvida possível. Em outras palavras, é possível chegar-se a um veredito
com base em provas concludentes. Isto é, não há uma fundamentação séria e razoável para se duvidar da
decisão a que se chegou. Esta prova estriba-se em três tipos de testemunho: oral, escrito e de evidências
(tais como um revólver, uma bala, uma caderneta). Usando o método judicial de determinar o que
sucedeu, você pode provar claramente, sem qualquer sombra de dúvida, que esteve na aula hoje pela
manhã: seus colegas o viram, você tem suas anotações, e o professor lembra-se de tê-lo visto.

Portanto, o método científico só pode ser aplicado quando se deseja provar experimentos que
podem ser repetidos; não é um método que se presta a provar ou desaprovar as questões relativas a
pessoas ou eventos históricos. O método científico não responde a perguntas tais como: “Será que George
Washington existiu mesmo?” “Martin Luther King era defensor dos direitos humanos?” “Quem foi Jesus
de Nazaré?” “Robert Kennedy foi Secretário da Justiça dos Estados Unidos?” “Será que Jesus Cristo
ressuscitou dentre os mortos?” Estes fatos situam-se fora da esfera da prova científica, e precisamos
colocá-los no plano da prova judicial. Em outras palavras, o método científico, que se baseia na
observação, na obtenção de informações, na formulação de hipóteses, em deduções e na verificação
experimental, para se descobrir e explicar regularidades empíricas da natureza, não fornece respostas para
perguntas tais como: “Você pode provar a realidade da ressurreição?” ou “Você pode provar que Jesus é o
Filho de Deus?” Quando alguém se apoia no método judicial, precisa verificar a fidelidade dos
testemunhos.

Um fato que me tem preocupado de forma toda especial é a verdade de que a fé cristã não é uma fé
cega, uma crença ignorante, mas, antes, uma fé inteligente. Toda vez que, na Bíblia, uma pessoa é
chamada a exercitar a fé, trata-se de uma fé inteligente. Em João 8 Jesus diz o seguinte: “E conhecemos a
verdade”, e não “ignorareis a verdade”. Perguntaram ao Senhor: “Qual é o maior dos mandamentos?”
E ele respondeu: “Amar o Senhor teu Deus de todo o coração, e de todo o entendimento.” O que
acontece com a maioria das pessoas é que elas param no coração. Os eventos acerca de Cristo nunca
chegam à sua mente. Recebemos uma mente renovada pelo Espírito Santo para conhecer a Deus, tanto
quanto um coração para amá-lo e uma vontade para escolhê-lo. Precisamos ativar estas três áreas para
termos um relacionamento pleno com Deus, e glorificá-lo realmente. Não sei o que pensa o leitor, mas
quanto a mim, meu coração não pode regozijar-se com algo que minha mente rejeita. Meu coração e
mente foram criados para operarem em harmonia um com o outro. Nunca ninguém foi chamado a
cometer suicídio intelectual, ao confiar em Cristo como seu Salvador e Senhor.

Nos quatro capítulos seguintes, examinaremos as provas da autenticidade dos documentos escritos
e da perfeita credibilidade dos testemunhos verbais e relatos de testemunhas oculares acerca de Jesus.

Mais que um Carpinteiro 9 de 35
Cap. 4) Serão dignos de crédito os escritos Bíblicos?
O Novo Testamento é a principal fonte de informação histórica a respeito de Jesus. Por causa disso,
muitos críticos, dos séculos XIX e XX atacaram a probidade dos documentos bíblicos. Parece que está
sempre havendo um fogo cerrado de acusações, que afinal não contém fundamento histórico, ou que
atualmente já foram superadas por causa de descobertas e pesquisas arqueológicas.

Certa ocasião, quando eu proferia uma série de palestras na Universidade Estadual do Arizona, um
professor que se fazia acompanhar de sua turma de literatura, aproximou-se de mim ao final de uma aula
ao ar livre. Disse-me ele: “Sr. McDowell, o senhor está baseando suas asserções a respeito de Cristo em
um documento que data do segundo século, e que é totalmente obsoleto. Demonstrei em classe hoje que o
Novo Testamento foi escrito tanto tempo depois de Cristo que não poderia absolutamente ser acurado em
seus relatos.”

“Suas opiniões e conclusões acerca do Novo Testamento é que foram ultrapassadas há vinte e cinco
anos”, respondi.

O conceito daquele homem com relação aos registros neotestamentários concernentes a Jesus
tinham sua origem nas conclusões de um crítico alemão, F. C. Baur. Baur acreditava que a maioria dos
escritos do Novo Testamento foram produzidos no fim do século II A.D. e concluiu que estes escritos
provinham essencialmente de mitos e lendas que haviam surgido durante este intervalo de tempo que ia
da morte de Jesus até a época em que os relatos foram postos em forma escrita.

Entretanto, no século XX, descobertas arqueológicas já confirmaram a precisão dos fatos expostos
nos manuscritos do Novo Testamento. A descoberta dos primeiros papiros (a John Ryland, que data de
130 A.D.; o Chester Beatty, de 155 A.D.; e o Bodmer, do ano 200), cerrou o lapso de tempo que havia
entre os dias de Cristo e os manuscritos de data posterior.

Millan Burrows, da Universidade de Yale, diz: “Outro resultado da comparação do Novo
Testamento grego com a linguagem dos papiros (descoberta) é um aumento de confiança com relação a
fidelidade da transmissão do texto do Novo Testamento.”1 Descobertas como estas tem aumentado a
confiança dos eruditos na autenticidade bíblica.

William Allbright, que foi um dos mais eminentes arqueólogos bíblicos, escreveu: “Já podemos
afirmar, com toda a certeza, que não existem mais bases sólidas para se fixar a data de qualquer livro do
Novo Testamento para depois do ano 80 A.D.; o que representa duas gerações inteiras antes da data
suposta, isto é, entre 130 e 150, fornecidas pelos mais radicais críticos do Novo Testamento, na
atualidade.”2 E ele reitera este ponto de vista numa entrevista que concedeu a Christianity Today: “Em
minha opinião, todos os livros do Novo Testamento foram escritos por judeus batizados entre os anos 40 e
80 do primeiro século A.D. (provavelmente entre os anos 50 e 75).”3

Sir William Ramsay e considerado um dos maiores arqueólogos que já existiram. Ele foi adepto da
escola histórica alemã que afirmava que o livro de Atos dos Apóstolos foi escrito na metade do segundo
século, e não no primeiro, como propõe seu autor. Após ter lido os críticos modernos acerca do livro de
Atos, ele se tornou convencido de que a obra não era um relato fiel dos fatos ocorridos naquele tempo (50
A.D.), e portanto, não merecia consideração par parte de um historiador. Por causa disso, ao efetuar sua
pesquisa histórica na Ásia Menor, Ramsay deu pouca atenção ao Novo Testamento. Sua investigação,
contudo, eventualmente, levou-o a considerar os escritos de Lucas. Ele notou a exatidão meticulosa dos
detalhes históricos, e, aos poucos, sua opinião com relação ao livro foi-se modificando. E ele viu-se
forçado a concluir que “Lucas é historiador de primeira qualidade… este escritor deve ser colocado entre
os maiores historiadores.”4 Por causa da exatidão da maioria dos detalhes, Ramsay finalmente concordou
em que Atos não poderia ser um documento produzido no século II, mas antes um relato escrito na
metade do primeiro século.

Muitos dos estudiosos mais liberais estão sendo obrigados a fixar datas mais antigas para o Novo
Testamento. As conclusões do Dr. John A.T. Robinson em seu mais recente livro Hedating the New
Testament (A Redatação do Novo Testamento) são incrivelmente radicais. Suas pesquisas levaram-no a
concluir que todo o Novo Testamento foi escrito antes da queda de Jerusalém ocorrida no ano 70 A.D.5

Atualmente, alguns críticos afirmam que seu conteúdo foi transmitido oralmente até que foi
colocado em forma escrita, nos Evangelhos. Embora este lapso de tempo tenha sido bem mais curto do
que anteriormente se pensava, eles concluíram que os relatos evangélicos tomaram a forma de literatura
popular (lendas, cantos, mitos e parábolas).

Uma das maiores contestações a esta idéia dos críticos quanto a uma tradição oral é que o período
desta tradição oral (definido pelos críticos) não é suficientemente longo para permitir as alterações na
tradição, que esses críticos alegam terem ocorrido. Falando sabre a brevidade do elemento tempo
empregado na produção do Novo Testamento, Simon Kistemaker, professor de teologia do Dordt College,
escreve: “Normalmente, a sedimentação do folclore entre povos de cultura primitiva leva muitas

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gerações; é um processo gradual que leva séculos e séculos. Mas, de acordo com o pensamento da crítica
formal, temos que concluir que as histórias dos Evangelhos foram produzidas e coligidas no âmbito de
uma geração ou pouco mais. Em termos de abordagem crítica, a formação de cada unidade dos
Evangelhos deve ser atendida como sendo um projeto condensado, com um curso de ação acelerado.”6

A.H. McNeile, antigo catedrático de Divindades na Universidade de Dublin, contesta o conceito da
tradição oral formulado pela crítica formal. Ele afirma que a crítica formal não examina a tradição das
palavras de Jesus com o cuidado com que devia. Um exame atento de 1Coríntios 7.10, 12, 25, mostra a
cuidadosa preservação e a existência de uma tradição genuína do registro destas palavras. Na religião
judaica era costume que os alunos memorizassem os ensinos de seu mestre. O bom aluno era como uma
“cisterna internamente revestida que não desperdiça uma gota sequer” (Mishna Abot 2.8). Se quisermos
crer na teoria de C.F. Bumey (expressa em “The Poetry of Our Lord” – a poesia de nosso Senhor),
podemos concluir que grande parte do ensino do Senhor foi dado em forma poética aramaica, tomando-o
mais fácil de ser lembrado.7
Paul L. Maier, professor de História da Civilização, na Universidade de Westem Michigan,
escreve: “Os argumentos de que o cristianismo teria incubado o mito da Páscoa durante um longo período
de tempo, ou de que as formas escritas surgiram muitos anos depois dos eventos, simplesmente não
correspondem a realidade.”8 E analisando a crítica formal, Allbright escreveu: “Somente estes eruditos
modernos, que não empregam o método histórico e não têm perspectiva, poderiam ter tecido uma teia de
especulações como essa com a qual a crítica formal tem cercado a tradição do evangelho.” A conclusão
de Allbright é que “um período de vinte a cinqüenta anos é insignificante para permitir a tese de uma
deterioração apreciável do conteúdo essencial, a até mesmo dos termos empregados por Cristo.”9

Muitas vezes, quando converso com alguém sobre a Bíblia, a pessoa replica sarcasticamente que
não se pode confiar no que ela diz, pois foi escrita há dois mil anos. Está crivada de erros e discrepâncias.
Respondo que creio que posso acreditar nas Escrituras. E depois descrevo um incidente ocorrido em certa
ocasião, numa aula de História. Declarei que acreditava existir mais evidências da veracidade do Novo
Testamento do que de obras da literatura clássica reunidas. O professor assentou-se num canto, com um
sorriso irônico, como se quisesse dizer: “Ah, não!” E eu indaguei: “O que o senhor está resmungando?”
Ele replicou: “Que audácia a sua, declarar numa classe de História que o Novo Testamento é merecedor
de crédito. Isso é ridículo.” Bem, fico muito satisfeito quando alguém faz uma afirmação destas, pois me
dá oportunidade de fazer uma pergunta de que gosto (e para a qual nunca recebi uma resposta afirmativa).
E eu disse: “Diga-me, professor, sendo historiador, quais são os testes a que o senhor submete qualquer
peça de literatura para determinar sua autenticidade ou verificar se é merecedora de crédito?” O que me
espantou é que ele não aplicava nenhum tipo de teste. Então eu disse: “Pois eu tenho alguns.” Creio que a
veracidade das Escrituras deveria ser testada pelos mesmo critérios com que são julgados todos os
documentos históricos. O historiador militar C. Sanders aponta e explica os três princípios básicos de
historiografia. São eles: o teste bibliográfico, o teste da evidencia interna e o teste da evidencia externa.”10

O teste bibliográfico

O teste bibliográfico consiste num exame da transmissão textual pela qual os documentos chegaram
até nós. Em outras palavras, não existindo o documento original, qual é o índice de fidelidade das cópias
de que dispomos, em relação ao número de manuscritos e o intervalo de tempo decorrido entre o original
e a cópia existente?

É possível examinarmos o enorme peso da autoridade dos manuscritos do Novo Testamento,
comparando-os com a matéria textual de outras notáveis fontes da antigüidade.

A História de Tucididas (460-400 A.C.) chegou até nós com apenas oito manuscritos datados de
900 A.D., quase 1300 anos depois que ele a escreveu. Os manuscritos históricos de Heródoto são, da
mesma forma, mais antigos e escassos, e apesar disso, como comenta F.F. Bruce: “Nenhum sábio clássico
daria atenção a qualquer argumento que pusesse em dúvida a autenticidade de Heródoto ou Tucididas, só
porque os manuscritos mais antigos de suas obras, que são de utilidade para nós, têm um atraso de 1300
anos sobre o manuscrito original.”11

Aristóteles escreveu suas obras cerca de 343 A.C., entretanto a cópia mais antiga que temos delas é
datada de 1100 A.D., mostrando portanto um lapso de 1400 anos, e existem somente cinco manuscritos.

César escreveu sua história das guerras gaulesas entre os anos 58 e 50 A.C., mas sua autoridade
histórica baseia-se em nove ou dez cópias que datam de 1000 anos após sua morte.

Quando examinamos a autoridade dos manuscritos do Novo Testamento, a abundância de material
é quase constrangedora em contraste com outras obras. Após as primeiras descobertas dos papiros que
vieram preencher a lacuna que havia entre o tempo de Cristo e as cópias do século II, surgiu uma grande
abundância de outros manuscritos. Atualmente existem mais de 20.000 cópias do Novo Testamento. A

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Ilíada tem apenas 643 manuscritos, e vem em segundo lugar em evidência manuscrítica após o Novo
Testamento.

Sir Frederic Kenyon, que foi diretor e bibliotecário chefe do Museu Britânico e principal na
liberação de declarações de manuscritos dá a seguinte conclusão: “Portanto, o intervalo entre as datas da
composição original e da cópia mais antiga existente tornou-se tão pequeno que pode ser desprezado, e
assim são removidos os últimos argumentos para se duvidar de que as Escrituras tenham chegado até nós
com o mesmo texto do original. Tanto a autenticidade quanto a integridade dos livros do Novo
Testamento podem ser consideradas como estando agora plenamente estabelecidas.”12

O grande entendido em grego neotestamentário, J. Harold Greenlee, acrescenta o seguinte: “Já que
os conhecedores do assunto aceitam como sendo geralmente dignos de fé os escritos dos velhos clássicos,
muito embora os manuscritos mais antigos tenham sido produzidos longo tempo depois dos originais, e
apesar de, em muitos casos, o número deles ser bem reduzido, está claro que a autenticidade do Novo
Testamento pode ser, pelo mesmo critério, garantida.”13

Aplicando o teste bibliográfico ao Novo Testamento, veremos que ele possui maior base
manuscrítica que qualquer outra peça literária da antigüidade. Juntando-se a isto o volume de crítica
textual do Livro que já se faz há mais de cem anos, pode-se concluir que está estabelecida a autenticidade
do texto do Novo Testamento.

O teste da evidência interna

O teste bibliográfico determina apenas que o texto que possuímos é o mesmo que foi originalmente
registrado. Temos ainda que verificar se aquele registro escrito é merecedor de crédito, e até que ponto.
Essa é a função da evidência interna, que constitui o segundo teste de historicidade relacionado por
Sanders.

Neste ponto, a crítica literária ainda segue a prescrição de Aristóteles: “O beneficio da dúvida deve
ser aplicado ao documento; nunca deve o crítico arrogá-la a si mesmo.”

Em outras palavras, como diz John W. Montgomery: “Precisamos ouvir as alegações do documento
analisando, e não assumir a hipótese de fraude ou erro, a não ser que o próprio autor se desacredite,
caindo em contradições ou cometendo erros sabre fatos conhecidos.”14

O Dr. Louis Gottschaik, antigo professor de História da Universidade de Chicago, explica o seu
método histórico em um manual utilizado por muitos para efetuar investigação histórica. Gottschalk
afirma que a capacidade do escritor ou testemunha para contar a verdade é muito valiosa para o
historiador, que se propõe a determinar a credibilidade do texto “mesmo se estiver contido em um
documento obtido pela força ou pela fraude, ou ainda que seja contestado de outro modo, ou baseado em
evidências de terceiros, ou então provenha de uma testemunha com segundos interesses.”15

Essa “capacidade de dizer a verdade” está intimamente associada à proximidade tanto geográfica
quanto cronológica da testemunha com os eventos registrados. As narrativas neotestamentárias da vida e
ensinos de Jesus foram registradas por homens que haviam sido, eles próprios, testemunhas oculares dos
fatos ou que relataram as observações dos ensinos testemunhas oculares dos eventos ou dos ensinos de
Cristo.

Lucas 1.1-3 – “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos
que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles
testemunhas oculares, e ministros de palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada
investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em
ordem.”

2 Pedro 1.16 – “Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo,
seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas da sua majestade.”

1 João 1.3 – “O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós
igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus
Cristo.”

João 19.35 – “Aquele que isto viu, testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz
a verdade, para que também vós creiais.”

Lucas 3.1 – “No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador
da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Felipe tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e
Lisânias tetrarca de Abilene…”

Esta proximidade dos eventos registrados é um meio extremamente efetivo de garantir-se a
exatidão do que é fixado pela testemunha. Contudo, o historiador também tem que levar em conta a
testemunha que, consciente ou inconscientemente, pode narrar inverdades, embora esteja bem próxima do
evento, e portanto abalizada a relatar a verdade.

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Os relatos acerca de Cristo encontrados no Novo Testamento estavam sendo circulados nos limites
do tempo de vida daqueles que foram contemporâneos dele. Essas pessoas poderiam, portanto, confirmar
ou negar a exatidão dos relatos. Os próprios apóstolos, ao defenderem sua apresentação da mensagem
evangélica, haviam apelado (mesmo quando confrontados por seus ferrenhos opositores) ao conhecimento
público geral a respeito de Jesus. Eles não diziam apenas: “Olhe, presenciamos isto”, ou “Ouvimos
aquilo…”, mas eles confundiam inteiramente os críticos adversos pois afirmavam: “Vocês também têm
conhecimento destas coisas. Vocês presenciaram tudo; vocês próprios sabem disso.” Um contendor tem
que ser muito cauteloso quando diz ao seu oponente: “Você tampem sabe disso”, pois se não estiver com
a razão até nos mínimos detalhes, seu argumento será derrotado.

Atos 2.22 – “Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por
Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou par intermédio
dele entre vós como vós mesmos sabeis.”

Atos 26.24-26 – “Dizendo ele estas cousas em sua defesa. Festo o interrompeu em alta voz: Estás
louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar. Paulo, porém, respondeu: Não estou louco, ó
excelentíssimo Festo; pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso. Porque tudo isto é do
conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas
cousas lhe é oculta; porquanto nada se passou aí, em algum recanto.”

Com relação ao valor da fonte original dos escritos do Novo Testamento, F. F. Bruce, professor de
crítica bíblica e exegese, da Universidade de Manchester, afirma: “E não foi somente testemunhas
favoráveis que os primeiros pregadores tiveram de considerar; haviam outras, menos interessadas, e que
também estavam inteiradas dos fatos principais do ministério e morte de Jesus. Os discípulos não
poderiam arriscar-se a cometer erros (sem falar em consciente malversação dos fatos), pois seriam
imediatamente postos a descoberto por gente que ficaria muito feliz de poder fazê-lo. Mas, pelo contrário,
um dos pontos principais da pregação apostólica original era um apelo confiante ao conhecimento de seus
ouvintes; eles não somente diziam: “Nós somos testemunhas destas coisas”, mas também afirmavam:
“Como vós mesmos sabeis” (At 2.22). Se houvesse ocorrido qualquer inclinação para se desviarem da
realidade, em qualquer aspecto material, a possível presença de testemunhas hostis no auditório teria
funcionado coma fator corretivo.”

Lawrence J. McGinley, do Saint Peter College, comenta o seguinte a respeito do valor da
testemunha hostil em relação aos eventos registrados: “Primeiramente, haviam várias testemunhas
oculares dos eventos em questão, que ainda estavam vivas, quando a tradição foi encerrada; e entre estas
contavam-se alguns inimigos ferrenhos do novo movimento religioso. Entretanto, a tradição proclamava
difundir uma série de feitos amplamente conhecidos e doutrinas ensinadas publicamente, numa ocasião
em que declarações falsas poderiam ser, e efetivamente o seriam, contestadas.”16

Robert Grant, especialista em assuntos do Novo Testamento, da Universidade de Chicago, chegou
a seguinte conclusão: “Na época em que eles (Evangelhos sinópticos) foram escritos ou se supõe que
foram escritos, haviam testemunhas oculares, e sua palavra não foi completamente desprezada. Isto
significa que os Evangelhos devem ser considerados como testemunhos merecedores de todo crédito, da
vida, morte e ressurreição de Jesus.”17

O filósofo Will Durant, pessoa acostumada a disciplina da investigação histórica, que passou a vida
analisando escritos antigos, escreve: “Apesar de todos os preconceitos dos autores dos Evangelhos e de
suas idéias teológicas, eles registraram muitos incidentes que, se estivessem a inventar os fatos, teriam
procurado amenizar – como por exemplo, a competição dos apóstolos pelas posições de proeminência no
Reino, a negação de Pedro, o fracasso de Cristo ao tentar operar milagres na Galiléia, as referências de
alguns auditores à sua possível insanidade, sua inicial incerteza com relação a sua missão, suas confissões
de ignorância quanto ao futuro, seus momentos de amargura, seu clamor de desespero na cruz; ninguém
que leia tais descrições pode duvidar da realidade da figura que as inspirou. Pensar que alguns homens
pudessem criar, em uma geração, uma personalidade tão marcante, tão poderosa, uma ética tão elevada, e
uma visão tão inspiradora da fraternidade humana, seria um milagre mais extraordinário que os
registrados nos Evangelhos. Após dois séculos de Alta Critica, os traços da vida, caráter e os ensinos de
Cristo continuam bastante claros, e constituem a mais fascinante característica na história do homem
ocidental.”18

O teste da evidência externa

O terceiro teste de historicidade é o da evidência externa. A questão neste caso é saber se a matéria
histórica confirma ou nega o testemunho interno dos próprios documentos. Em outras palavras, que outras
fontes existem, além da literatura em foco, que apoiam sua exatidão, credibilidade e autenticidade?

Gottschalk argumenta que “a conformidade ou harmonia com outros fatos históricos ou científicos,

Mais que um Carpinteiro 13 de 35
muitas vezes, é um teste decisivo da evidência, seja de uma ou mais testemunhas.”

Dois amigos do apóstolo João confirmaram a evidência interna do relato dele. O historiador
Eusébio preservou escritos de Papias, bispo de Hierápolis (130 A.D.): “O ancião (apóstolo João)
costumava dizer também o seguinte: “Marcos, tendo sido o intérprete de Pedro, anotou acuradamente o
que ele (Pedro) relatou, sejam as palavras ou feitos de Cristo, embora não em ordem. Pois ele não fora
ouvinte nem acompanhante do Senhor, mas mais tarde acompanhou a Pedro, que ministrava o ensino de
acordo com a necessidade do momento, mas não como se estivesse fazendo uma compilação das palavras
do Senhor. Portanto, Marcos não errou, ao escrever do modo como fez, anotando as coisas a medida que
ele as mencionava, pois tinha em mente uma coisa: não omitir nada que tivesse ouvido, nem introduzir
qualquer informação falsa entre as outras.”19

Irineu, o Bispo de Lion, (180 A.D. Irineu foi discípulo de Policarpo, Bispo de Esmirna, que fora
cristão durante 86 anos, e que também fora discípulo de João) escreveu: “Mateus publicou o seu
evangelho entre os hebreus (isto é, judeus) em sua própria língua, quando Pedro e Paulo pregavam o
evangelho em Roma, fundando a igreja ali. Após a partida deles, (isto é, sua morte, que algumas tradições
situam em 64 A.D., durante a perseguição de Nero), Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro, ele próprio
nos entregou, em forma escrita, a essência da pregação de Pedro. Lucas, o acompanhante de Paulo,
colocou em um livro o evangelho pregado pelo seu Mestre. Depois João, o discípulo do Senhor, o qual
também se reclinou sobre seu peito, (isto é referência a João 13.25 e 21.10) produziu seu evangelho
quando vivia em Éfeso, na Ásia.”20

A arqueologia, por vezes, fornece fortes evidências externas também. Ela contribui para a crítica
bíblica, não no que tange à sua inspiração e revelação, mas oferecendo provas que evidenciam a exatidão
dos eventos registrados. O arqueólogo Joseph Free escreve: “A arqueologia tem confirmado inúmeros
textos que haviam sido rejeitados pelos críticos, dados como não históricos ou contraditórios.”21

Já vimos como a arqueologia levou Sir William Ramsav a modificar sua convicção inicial contrária
à vitalidade histórica do livro de Lucas, e como ele chegou a conclusão de que o livro de Atos era
perfeitamente exato em sua descrição da geografia, antigüidades e sociedade da Ásia Menor.

F. F. Bruce observa que: “Nos pontos em que Lucas tem sido acusado de inexatidão, e sua exatidão
tem sido provada por evidências não escriturísticas (externas), será correto dizer que a arqueologia
confirmou o Novo Testamento.”22
A. N. Sherwin-White, um historiador clássico, escreveu que: “Para o livro de Atos, a confirmação
da realidade histórica é extraordinária.” E continua dizendo que “qualquer tentativa para se rejeitar uma
realidade histórica básica, mesmo em questões de detalhes, agora deve parecer absurda. Os historiadores
romanos há muito que a aceitaram.”23
Após haver tentado destruir a realidade histórica e a validade das Escrituras, eu próprio cheguei a
conclusão de que, historicamente, elas são merecedoras de fé. Se alguém rejeita a Bíblia por não
considerá-la autêntica neste sentido, então tal pessoa deve abandonar quase toda a literatura da
antigüidade. Um problema que encontro constantemente é o desejo que muitas pessoas têm de aplicar à
Bíblia um teste ou avaliação diferente do que aplicam a outras peças da literatura antiga. Precisamos
aplicar o mesmo teste a toda literatura que estiver sendo submetida a investigação, seja ela secular ou
religiosa. Havendo feito isso, creio podermos dizer: “A Bíblia é merecedora de crédito e historicamente
autêntica em seu testemunho acerca de Jesus.”

O Dr. Clark H. Pinnock, professor de teologia sistemática do Regent College, afirma: “Não existe
nenhum outro documento do mundo antigo apoiado por um conjunto de testemunhas textuais e históricas
com a mesma excelência, e oferecendo um mais soberbo agrupamento de informação histórica sobre o
qual uma decisão consciente possa ser feita. Uma pessoa honesta não pode ignorar uma fonte deste
calibre. O ceticismo com relação às credenciais históricas do cristianismo é baseado numa parcialidade
absurda (isto é, anti-sobrenatural).”24

Cap. 5. Quem morreria em defesa de uma mentira?

Um aspecto da questão que muitas vezes é negligenciado em contestações feitas ao cristianismo é a
transformação dos apóstolos de Jesus. Aquelas vidas transformadas constituem um sólido testemunho em
favor da validade de suas declarações. E como a fé cristã é histórica, se desejarmos investigá-la, teremos
que nos apoiar grandemente em testemunhos tanto orais como escritos.

Existem muitas definições de “História”, mas a de que mais gosto é a seguinte: “Um conhecimento
do passado baseado em testemunhos.” Se alguém diz: “Não penso que esta definição seja muito boa”, eu
pergunto: “Você acredita que Napoleão existiu?” E a resposta é sempre “sim”. “Você já o viu alguma
vez?” indago. E a pessoa confessa que não. “Então como você sabe que ele viveu?” Bem, a verdade, é

Mais que um Carpinteiro 14 de 35
que as pessoas estão confiadas em testemunhos de terceiros.

Esta definição de história apresenta um problema inerente. O testemunho tem de ser digno de
crédito, senão o ouvinte estará sendo enganado. O cristianismo implica num reconhecimento do passado
baseado em testemunhos; então devemos perguntar: “Será que os testemunhos originais acerca de Jesus
eram merecedores de fé? Podemos confiar em que os seguidores de Jesus transmitiram com correção o
que ele disse e fez?” Creio que podemos.

Confio no testemunho dos apóstolos porque, dos doze, onze tiveram morte de mártir, por causa de
dois fatos: a ressurreição de Cristo e sua crença nele como Filho de Deus. Eles foram torturados e
flagelados, e, por fim. tiveram que enfrentar a morte por métodos de execução dentre os mais cruéis então
conhecidos:

1. Pedro – crucificado
2. André – crucificado
3. Mateus – marte pela espada
4. João – marte natural
5. Tiago, filho de Alfeu – crucificado
6. Filipe – crucificado
7. Simão – crucificado
8. Tadeu – morto a flechadas
9. Tiago, irmão de Jesus – apedrejado
10. Tomé – traspassado por uma lança
11. Bartolomeu – crucificado
12. Tiago, filho de Zebedeu – marte pela espada.
A resposta que geralmente recebo em rebatida é a seguinte: “Ora, muitas pessoas já morreram por
causa de uma mentira; o que isto prova?”

Sim, muitas pessoas já morreram por causa de mentiras, mas eles pensavam tratar-se de uma
verdade. Ora, se a ressurreição de Jesus não ocorreu (isto é, se é falsa), os discípulos sabiam disso. Não
sei como poderiam estar enganados a esse respeito. Portanto, estes onze homens não somente morreram
em defesa de uma mentira – e aqui é que está o “X” da questão – mas eles sabiam que era mentira. Seria
difícil encontrar onze pessoas, na História, que estivessem dispostas a morrer em defesa de uma mentira,
sabendo que era mentira.

Precisamos estar a par de vários fatores para apreciar melhor os feitos deles.

Primeiro, sempre que os apóstolos escreviam ou falavam, eles o faziam como testemunhas oculares
dos eventos que descreviam.

Pedro disse: “Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo,
seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua
majestade.” (2Pe 1.16) Eles sabiam claramente a diferença que havia entre o mito, a lenda e a realidade.

João enfatizou este aspecto de testemunho ocular do conhecimento dos judeus: “O que era desde o
principio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as
nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nos a temos visto, e
dela damos testemunho, e vô-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi
manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós igualmente
mantenhais comunhão conosco.” (1Jo 1.1-3)

Lucas declarou: “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos
que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o principio foram deles
testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada
investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em
ordem.” (Lc 1.1-3)

Depois, no livro de Atos, Lucas descreveu aquele período de quarenta dias que se seguiu a
ressurreição de Cristo e em que seus seguidores o observaram de perto. “Escrevi o primeiro livro…
relatando todas as cousas que Jesus fez e ensinou, até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos
por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas. A estes também,
depois de ter padecido, se apresentou viva, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante
quarenta dias e falando das cousas concernentes ao reino de Deus.” (At 1.1-3)

João iniciou a última parte de seu Evangelho dizendo que “fez Jesus diante dos discípulos muitos
outros sinais que não estão escritos neste livro.” (Jo 20.30)

O principal assunto destas testemunhas oculares dizia respeito à ressurreição. Os apóstolos
testemunharam sua nova vida após a morte:

Mais que um Carpinteiro 15 de 35
Lucas 24.48; João 15.27; Atos 1.8; Atos 2.24,32; Atos 3.15; Atos 4.33; Atos 5.32; Atos 10.39; Atos
10.41; Atos 13.31; Atos 22.15; Atos 26.16; 1João 1.2; Atos 23.11; 1Co 15.4-9; 1Co 15.15

Em segundo lugar, os próprios apóstolos tiveram que ser convencidos de que Jesus ressuscitara
dentre os mortos. A princípio eles não o aceitaram. Foram esconder-se (Mc 14.50). E não hesitaram em
expressar suas dúvidas. Foi somente após terem obtido evidências plenas e convincentes que eles
passaram a acreditar no fato. Houve também o caso de Tomé, que disse que não acreditaria que Cristo
surgira dentre os mortos enquanto não pusesse os dedos nas marcas dos cravos. Mais tarde, Tomé iria
morrer como mártir, por causa de Cristo. Será que ele estava enganado? Ele deu a vida para provar que
não estava.

E também houve Pedro. Ele negou a Cristo várias vezes durante o julgamento deste. Por fim, ele
abandonou o Senhor. Mas algo aconteceu aquele homem covarde. Pouco tempo depois da crucificação e
sepultamento de Cristo, Pedro apareceu em Jerusalém pregando corajosamente, sob ameaça de morte, que
Jesus era o Cristo, e que ressuscitara. E afinal, o próprio Pedro foi crucificado também, de cabeça para
baixo. Será que ele estava enganado? O que acontecera com ele? O que o transformara tão drasticamente,
tornando-o num leão audacioso, por Jesus? Por que ele estava disposto a morrer por Cristo? A única
explicação satisfatória que encontro é a de. 1Coríntios 15.5: “E apareceu a Cefas (Pedro)” (de acordo
com João 1.42).

O exemplo clássico de um homem convencido contra a vontade foi o de Tiago, o irmão de Jesus
(Mt 13.55; Mc 6.33). Embora não fosse um dos doze apóstolos (Mt 10.2-4), mais tarde ele seria
reconhecido como apóstolo (Gl 1.19), como também Paulo e Barnabé (At 14.14). Quando Jesus estava
vivo, Tiago não acreditava que seu irmão Jesus fosse o Filho de Deus (Jo 7.5). Ele, assim como seus
irmãos e irmãs, haviam zombado dele. “Você quer que acreditem em você? Por que não vai para
Jerusalém, e se manifesta lá?” Para Tiago, deve ter sido uma grande humilhação ver Jesus andando pelo
país, lançando a vergonha sobre o nome da família, par causa de suas loucas declarações: “Eu sou o
caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão par mim” (Jo 14.6); “Eu sou a videira, vós os
ramos” (Jo 15.5); “Eu sou o bom pastor; reconheço as minhas ovelhas, e elas me reconhecem a mim”
(Jo 10.14) O que você pensaria se um irmão seu dissesse tais coisas?

Mas algo aconteceu a Tiago. Depois que Jesus foi crucificado e sepultado, Tiago apareceu
pregando em Jerusalém. Sua mensagem era de que Jesus morrera pelos pecados do mundo, ressurgira
outra vez e estava vivo. Mais tarde, ele se tornou um dos líderes da igreja de Jerusalém, e escreveu um
livro, a epístola de Tiago. Ele a inicia da seguinte maneira: “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus
Cristo”. Seu irmão, por fim, sofreu morte de mártir, apedrejamento – às mãos de Ananias, o sumo
sacerdote (Josefo). Será que Tiago estava enganado? Não. A única explicação possível para tudo é a de
1Coríntios 15.7 – “Depois, foi visto por Tiago.”

Se a ressurreição de Cristo foi uma mentira, os apóstolos sabiam disso. Estariam eles perpetuando
uma tremenda fraude? Esta possibilidade é inconsistente com o que sabemos acerca de suas qualidades
morais. Pessoalmente condenavam a mentira e enfatizavam a verdade. Incentivavam o povo a que
conhecesse a verdade. O historiador Edward Gibbon, em sua famosa obra: A História do Declínio e
Queda do Império Romano apresenta “a pura e austera moralidade dos primeiros cristãos” como uma das
cinco razões para o rápido sucesso do cristianismo. Michael Green, diretor do St. John College, de
Nottingham, observa que a ressurreição “foi a crença que transformou aqueles sofridos seguidores de um
rabi crucificado em corajosas testemunhas e mártires da igreja primitiva. Esta foi a crença que distinguiu
os seguidores de Jesus dos judeus em geral, e fez deles a comunidade da ressurreição. Eles eram
aprisionados, chicoteados, mortos, mas nada os fazia negar a convicção de que “ao terceiro dia
ressuscitou”.1

Terceiro, a conduta corajosa dos apóstolos, por eles adotada imediatamente após terem constatado a
realidade da ressurreição, torna improvável a suposição de que tudo não passasse de uma fraude. Eles se
tornaram corajosos quase que da noite para o dia. Pedro, que havia negado a Cristo, ergueu-se, mesmo
diante da ameaça de marte, e proclamou que Jesus estava vivo, após a ressurreição dele. As autoridades
prenderam os seguidores de Cristo, e os espancaram, e, contudo, logo eles estavam de volta às ruas,
falando de Jesus (At 5.40-42). Os amigos notaram sua felicidade, e os inimigos, sua coragem. E eles não
procuraram um povoado obscuro para ali pregar, mas fizeram-no em Jerusalém.

Os seguidores de Jesus não poderiam ter enfrentado torturas e morte coma fizeram, a menos que
estivessem convencidos da ressurreição dele. Também a unanimidade de sua mensagem e linha de
conduta era admirável. Existe muito pouca chance de que um grupo grande de pessoas tenha perfeita
harmonia, entretanto, todos concordavam entre si acerca das verdades da ressurreição. Se fossem
enganadores, é difícil entender por que pelo menos um deles não cedeu a toda aquela pressão.

Pascal, o filósofo francês, escreve: “A alegação de que os apóstolos eram impostores é
completamente absurda. Sigamos esta acusação até sua conclusão lógica. Imaginemos aqueles doze

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homens, reunindo-se após a marte de Jesus Cristo, e entrando num acordo para dizer que ele ressuscitara.
Aquilo teria constituído um ataque tanto às autoridades civis como às religiosas. O coração do homem é
estranhamente inclinado para a inconstância e para a variação; ele pode ser abalado por promessas e
tentado pelas coisas materiais. Se algum daqueles homens tivesse cedido a tentações tão fortes, ou se
rendido pela força dos argumentos mais insistentes da prisão e tortura, eles estariam perdidos.”2

“Como foi que eles se transformaram, quase que da noite para o dia”, indaga Michael Green,
“naquele indomável bando de entusiastas que enfrentaram aposições, cinismos e zombarias, dificuldades,
prisão e morte, em três continentes, ao pregarem, por toda a parte, Jesus e sua ressurreição?”3

Um escritor desconhecido narra descritivamente as mudanças que ocorreram na vida dos apóstolos:
“No dia da crucificação, estavam cheios de tristeza; no primeiro dia da semana, de alegria. Na
crucificação, estavam desesperançados; no primeiro dia da semana, seus corações brilhavam com certeza
e esperança. Quando surgiu a primeira mensagem acerca da ressurreição, eles se mostraram incrédulos, e
relutaram em se deixar convencer, mas depois que tiveram certeza, nunca mais duvidaram. O que pode ter
causado esta espantosa mudança que se operou nestes homens, num período de tempo tão curto? A
simples remoção de um corpo de um sepulcro nunca poderia ter transformado seu espírito e caráter. Três
dias não são suficientes para o surgimento de uma lenda que pudesse afetá-los a esse ponto. O processo
de formação de uma lenda requer tempo. Isto é um fato psicológico que exige uma explicação mais
ampla. Pensemos no caráter das testemunhas, homens e mulheres, que deram ao mundo o mais elevado
ensino ético que se conhece, e que, mesmo segundo a palavra de seus inimigos, demonstravam este
ensino com suas ações. Pensemos no absurdo de imaginar-se um pequeno grupo de covardes derrotados,
escondendo-se no cenáculo, um dia, e poucos dias depois, mostrarem-se transformados numa corporação
que nenhum tipo de perseguição conseguia silenciar – e depois tentemos atribuir esta mudança a nada
mais convincente que uma miserável fraude que eles tentavam impor ao mundo. Isto simplesmente não
faz sentido.”

Kenneth Scott Latourette escreve: “Os efeitos da ressurreição e da vinda do Espírito Santo sobre os
discípulos foram… da maior importância. De homens amedrontados e decepcionados, que, tristemente,
recordavam os dias quando tinham esperanças de que Jesus fosse aquele que “restauraria o reino a Israel”,
eles se transformaram em um grupo de testemunhas entusiásticas.”4

Paul Little indaga: “Seriam aqueles homens, os quais ajudaram a transformar a estrutura moral da
sociedade, apenas uns mentirosos consumados ou loucos iludidos? Estas alternativas são mais difíceis de
se aceitar do que a realidade da ressurreição, e não há a mínima parcela de evidência a apoiá-las.”5

A perseverança dos apóstolos até mesmo ao ponto de morrerem por sua fé, não tem explicação.
Segundo a Enciclopédia Britânica, Orígenes escreveu que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo.
Herbert Workman descreve assim a morte de Pedro: “Portanto, Pedro, como o Senhor já profetizara, foi
“cingido” por outrem, e “levado” para morrer, seguindo pelo “caminho de Aurélio” até um lugar, junto
aos jardins de Nero, na colina do Vaticano, onde tantos de seus irmãos já haviam sofrido morte cruel. A
seu pedido, ele foi crucificado de cabeça para baixo, pois considerava-se indigno de sofrer como seu
Mestre.”6

Harold Mattingly, em seu compêndio de História, escreve: “Os apóstolos São Pedro e São Paulo
selaram seu testemunho com o próprio sangue”.7 Tertuliano escreveu que: “Nenhum homem estaria
disposto a morrer, a menos que soubesse que detinha a verdade.”8 Simon Greenleaf, professor de direito
da Universidade de Harvard, um homem que lecionara durante vários anos sobre as técnicas de se dobrar
uma testemunha, e de descobrir se ela mentia ou não, chega à seguinte conclusão: “Os anais do combate
militar não possuem um exemplo semelhante de constância heróica, dessa paciência e coragem
inabalável. Eles tinham todos os motivos possíveis para fazerem um reexame cuidadoso de suas bases de
fé, e das evidências dos grandes fatos e verdades que defendiam.”9

Os apóstolos passaram pelo teste da morte para provar a veracidade de suas afirmações. Creio e
confio em seu testemunho, mais do que no de outras pessoas que conheço hoje, pessoas que não estão
dispostas nem a atravessar uma rua para defender aquilo em que acreditam, quanto mais a morrer por
isso.

Cap. 6) De que vale um Messias morto?

Muitas pessoas tem morrido por boas causas. Vejamos por exemplo, o caso do estudante de San
Diego, nos Estados Unidos, que há alguns anos atrás ateou fogo ao próprio corpo e morreu em protesto
contra a guerra do Vietnã. Na década de sessenta, vários monges budistas se queimaram a fim de atrair a
atenção do mundo para o sudeste asiático.

O problema dos apóstolos foi que a “boa causa” deles morreu numa cruz. Eles acreditavam que

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Jesus era o Messias. Não pensavam que ele pudesse morrer. Estavam convencidos de que seria ele quem
iria estabelecer o Reino de Deus e governar sobre o povo de Israel.

Para podermos compreender o relacionamento dos apóstolos com Cristo e entender por que a cruz
foi tão incompreensível para eles, temos que procurar entender o pensamento do povo acerca do Messias,
no tempo de Cristo.

A vida e os ensinos de Jesus estavam em tremendo contraste com o conceito messiânico dos judeus
naqueles dias. Desde a infância, o judeu aprendia que, quando o Messias viesse, ele seria um líder
político, vitorioso, que reinaria sobre eles. Libertaria o povo do jugo estrangeiro e restauraria Israel a seu
lugar de direito. A idéia de um Messias sofredor era “completamente estranha ao conceito judeu de
messianismo”.1

E. F. Scott da sua descrição dos tempos de Cristo: “…o período foi de intensa agitação. Os líderes
religiosos não conseguiam reprimir o ardor do povo, que em toda a parte aguardava o aparecimento do
prometido libertador. Esta atmosfera de expectação havia, sem dúvida, se intensificado devido aos mais
recentes acontecimentos históricos.
“Havia mais de uma gerarão que os romanos estavam restringindo cada vez mais a liberdade dos
judeus; suas medidas de repreensão haviam avivado o seu sentimento de patriotismo. O sonho de uma
libertação miraculosa e do rei messiânico, que a levaria a efeito, revestiu-se de um novo significado, nesse
período crítico; mas, em si mesmo, ele não era novidade alguma. Por trás da fermentação que vemos
evidenciada nos Evangelhos, divisamos um longo período de crescente expectativa.

“Para o povo em geral, o Messias continuava sendo o que fora para Isaías e seus contemporâneos -

o Filho de Davi, que traria vitória e prosperidade A nação judaica. À luz das referências dos Evangelhos
não podemos deixar de crer que o conceito popular acerca do Messias era principalmente nacional e de
caráter político.”2
O sábio judeu, Joseph Klausner, escreve: “O Messias foi-se tornando cada vez mais não somente
um proeminente governante político, mas também um homem de elevadas qualidades morais.”3
Jacob Gartenhus reflete as principais crenças judaicas do tempo de Cristo: “Os judeus aguardavam

o Messias, como aquele que iria libertá-los da opressão romana… a esperança messiânica era,
basicamente, de uma libertação nacional.”4
A Enciclopédia Judaica afirma que os judeus “ansiavam pela vinda do prometido libertador da
casa de Davi, que livraria o povo do detestado jugo do usurpador estrangeiro, poria um fim ao impiedoso
domínio romano, e, em lugar dele, estabeleceria seu próprio reino de paz e justiça”.5

Por essa época, os judeus se refugiavam na promessa do Messias. Os apóstolos abrigavam as
mesmas crenças do povo que os cercava. Como declara Millar Burrows: “Jesus era tão diferente de tudo o
que esperavam que o Filho de Davi fosse, que seus discípulos acharam quase impossível associar a ele a
idéia do Messias.”6 As sérias comunicações que Jesus lhes fez acerca de sua crucificação não foram
absolutamente bem recebidas por eles (Lc 9.22). Ao que parecia “havia a esperança”, como observa A. F.
Bruce, “de que ele houvesse feito uma avaliação muito pessimista da situação, e de que suas apreensões
se provassem sem bases… um Cristo crucificado era um escândalo e uma contradição para os apóstolos;
quase da mesma forma que continua a sê-lo para a maioria do povo judeu, depois que o Senhor subiu para
a glória.”7

Alfred Edersheim, antigo preletor da Septuaginta na Universidade de Oxford, estava com a razão
ao concluir que “o fator mais adverso para Cristo era sua própria época.”8

Pelo Novo Testamento, é possível detectar qual era a atitude dos apóstolos com relação a Cristo:
sua esperança de um Messias reinante. Depois que Jesus disse aos discípulos que teria que ir para
Jerusalém e sofrer, Tiago e João pediram-lhe que prometesse que, em seu reino, eles se assentariam um à
sua direita e outro à sua esquerda (Mc 10.32-38). Em que tipo de Messias estavam pensando? Um
Messias sofredor, crucificado? Não; um governante político. Jesus mostrou-lhes que haviam
compreendido mal sua missão; não sabiam o que estavam pedindo. Quando Jesus predisse seu sofrimento
e crucificação, os doze apóstolos não conseguiram entender o que ele estava querendo dizer (Lc 18.3134).
Por causa de seus antecedentes e das instruções recebidas, acreditaram que estavam engajados numa
boa causa. E então ocorreu o Calvário. Desfizeram-se todas as esperanças de que Jesus se tornasse o
Messias. Desencorajados, regressaram às suas casas. Todos aqueles anos perdidos!

O Dr. George Eldon Ladd, professor de Novo Testamento do Seminário Teológico Fuller, escreve:
“Foi por isso também que os discípulos o abandonaram, quando ele foi preso. A mente deles estava tão
imbuída da idéia de um Messias vitorioso, cuja missão seria suplantar seus inimigos, que, quando o viram
dominado e sangrando sob o chicote, um preso indefeso nas mãos de Pilatos, e quando o viram ser
conduzido e pregado à cruz para morrer como um criminoso comum, todas as suas esperanças
messiânicas concentradas em Cristo foram destruídas. É bem verdadeiro o conceito psicológico de que só
ouvimos aquilo que desejamos ouvir. As predições de Jesus acerca de seu sofrimento e morte caíram em

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ouvidos moucos. Os discípulos, apesar de todas as advertências do Senhor, estavam despreparados para
elas…”9

Mas algumas semanas após a crucificação, e a despeito de suas antigas dúvidas, os discípulos
estavam em Jerusalém, proclamando a Jesus como o Salvador e Senhor, o Messias dos judeus. A única
explicação plausível que encontro para esta mudança está em 1 Coríntios 15.5 – “E apareceu… aos doze.”
O que mais poderia ter feito com que aqueles homens derrotados saíssem a campo para sofrer e morrer
par um Messias crucificado? Naturalmente, ele deve ter-se apresentado “vivo, com muitas provas
incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias.” (At 1.3)

É verdade; muitas pessoas morrem por uma boa causa, mas a “boa causa” dos apóstolos morreu
numa cruz. Somente a ressurreição de Cristo e sua subseqüente aparição a seus seguidores convenceu-os
de que ele era o Messias. E disto eles testificaram não apenas com os lábios e a vida, mas também com a
morte.

Cap. 7) Você ouviu o que aconteceu a Saulo?

Um amigo meu de nome Jack, que tem falado em muitas universidades, surpreendeu-se certa vez,
ao chegar a certa escola. Ficou sabendo que os estudantes haviam programado para ele um debate
público, naquela mesma noite, com o “ateu” da universidade. Seu oponente era um eloqüente professor de
filosofia, extremamente antagônico ao cristianismo. Jack seria o primeiro a falar. Ele apresentou e
discutiu várias provas da ressurreição de Jesus, a conversão do apóstolo Paulo, e por fim deu seu
testemunho pessoal de como Cristo transformou sua vida, quando era estudante universitário.

Quando chegou a vez de o professor falar, este se achava bastante nervoso. Não saberia refutar as
evidencias da ressurreição, nem do testemunho de Jack, por isso voltou-se para a questão da conversão
radical do apóstolo Paulo ao cristianismo. Usou o argumento de que “muitas vezes, uma pessoa se torna
tão envolvida psicologicamente naquilo que está combatendo, que acaba abraçando a idéia.” Neste ponto,
meu amigo sorriu levemente e respondeu: “Então, professor, é melhor o senhor se cuidar, senão é
provável que se torne cristão.”

Um dos mais importantes testemunhos em favor do cristianismo foi dado quando Saulo de Tarso,
talvez o mais violento antagonista do cristianismo, se tornou o apóstolo Paulo.

Saulo era um zelote hebreu, um líder religioso. O fato de haver nascido em Tarso proporcionou-lhe

o ensejo de entrar em contato com o mais avançado ensino de seu tempo. Tarso era uma cidade
universitária, conhecida por sua cultura e pelos filósofos da escola estóica. Strabo, o filósofo grego,
elogiou Tarso por ser tão interessada em educação e filosofia.1
Paulo, como seu pai, possuía a cidadania romana, um alto privilégio. Ele parecia muito versado no
pensamento e cultura helênicos. Possuía bom domínio do grego e demonstrava grande habilidade de
dialética. Citava poetas pouco conhecidos.

Atos 17.28 – “Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos (Epimenides), como alguns dos
vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração (Aratos, Cleantes)”.

l Coríntios 15.33 – “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes
(Menandro)”.

Tito. 1.12 – “Foi mesmo dentre eles, um seu profeta que disse: Cretenses, sempre mentirosos, feras
terríveis, ventres preguiçosos (Epimenides)”.

A educação que Paulo recebeu foi de cunho judaico, e ele se formara na estrita seita dos fariseus.
Mais ou menos com a idade de quatorze anos, foi enviado a Gamaliel, um dos grandes rabis de seu tempo,
neto de Hilel, para estudar com ele. Paulo deixou claro que ele não era apenas fariseu, mas também filho
de fariseus (At 23.6). Ele podia gabar-se de que: “Na minha nação, quanta ao judaísmo, avantajava-me a
muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.” (Gl 1.14)

Quem desejar compreender a conversão de Paulo, precisara ver por que ele era tão veementemente
contrário ao cristianismo: a razão era sua devoção à lei judaica, devoção essa que provocou seu violento
desagrado para com Cristo e a Igreja primitiva.

O “problema dele (Paulo) com a mensagem cristã não era”, diz Jacques Dupont, com a afirmação
da função messiânica de Jesus, (mas)… com a atribuição a ele da função de Salvador, o que desvestia a
Lei de todo o seu valor no propósito da salvação… (Paulo era) violentamente hostil à fé cristã por causa da
importância que ele conferia à lei como instrumento de salvação.”2

A Enciclopédia Britânica afirma que a nova seita do judaísmo que se chamava cristianismo afetava
diretamente a essência da formação judaica de Paulo e seus estudos rabínicos.1 Exterminar aquela seita
tornou-se a paixão dele (Gl 1.13). E então, o apóstolo começou a perseguir para matar “a seita dos
nazarenos” (At 26.9-11). Ele praticamente “assolava a igreja”. Então partiu para Damasco com

Mais que um Carpinteiro 19 de 35
documentos que o autorizavam a prender os seguidores de Jesus e a levá-los a julgamento.

Foi aí que algo sucedeu a Paulo. “Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos
do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote, e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que,
caso achasse alguns que criam do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para
Jerusalém. Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou
ao seu redor, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele
perguntou: Quem es tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas, levanta-te e
entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer. Os seus companheiros de viagem pararam
emudecidos, ouvindo a voz, não vendo, contudo, ninguém. Então se levantou Saulo da terra e, abrindo os
olhos, nada podia ver. E, guiando-o pela mão, levaram-no para Damasco. Esteve três dias sem ver,
durante os quais nada comeu e nem bebeu.

“Ora, havia em Damasco um discípulo, chamado Ananias. Disse-lhe o Senhor numa visão:
Ananias! Ao que respondeu: Eis-me aqui, Senhor! Então o Senhor lhe ordenou: Dispõe-te e vai à rua que
se chama Direita e, na casa de Judas, procura por Saulo, apelidado de Tarso; pois ele está orando, e viu
entrar um homem, chamado Ananias, e impor-lhe as mãos, para que recuperasse a vista.” (At 9.1-12.)

Neste ponto, ficamos sabendo por que os crentes temiam a Saulo. Ananias respondeu: “Senhor, de
muitos tenho ouvido a respeito desse homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e
para aqui trouxe autorização dos principais sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome.
Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome
perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa
sofrer pelo meu nome. Então Ananias foi e, entrando na casa, impôs sobre ele as mãos, dizendo: Saulo,
irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para
que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo. Imediatamente lhe caíram dos olhos como que
umas escamas, e tornou a ver. A seguir levantou-se e foi batizado. E depois de ter-se alimentado, sentiu-
se fortalecido.” (At 9.13-19) Paulo disse: “Não vi a Jesus, nosso Senhor?” Ele comparou a aparição de
Jesus para ele com as aparições dele entre os outros apóstolos, após a ressurreição. “E, afinal… foi visto
também por mim.” (1 Co 15.8)

Paulo não somente viu a Jesus, mas viu-o de forma irresistível. Ele não proclamava o evangelho
por escolha pessoal, mas por necessidade. “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois
sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho.” (1 Co 9.16)

Notemos que o encontro de Paulo com Jesus e sua subseqüente conversão foram súbitos e
inesperados. “Ora, aconteceu que, indo de caminho e já perto de Damasco, quase ao meio-dia,
repentinamente grande luz do céu brilhou ao redor de mim.” (At 22.6) Paulo não tinha a mínima idéia de
quem era este ser celestial. A declaração de que era Jesus de Nazaré deixou-o atônito e tremendo.

É possível que não saibamos todos os detalhes, a cronologia ou psicologia do que sucedeu a Paulo
no caminho de Damasco, mas uma coisa sabemos: aquilo afetou cada faceta de sua vida.

Primeiramente, o caráter de Paulo foi drasticamente transformado. A Enciclopédia Britânica
descreve-o antes da conversão como um homem intolerante e amargo, um fanático religioso, terrível
perseguidor, orgulhoso e temperamental. Após sua conversão, ele é descrito como um homem paciente,
bondoso, tolerante e altruista.1 Kenneth Scott Latourette diz: “Entretanto, o fator integrador da vida de
Paulo, que elevou seu temperamento quase neurótico da obscuridade para uma influência duradoura, foi
uma experiência religiosa, profunda e revolucionária.”3

Segundo, o relacionamento de Paulo com os seguidores de Jesus mudou completamente. “Então
permaneceu em Damasco alguns dias com os discípulos.” (At 9.20a) E quando ele foi ver os apóstolos,
recebeu a “destra da comunhão”.

Em terceiro lugar, a mensagem de Paulo foi modificada. Embora ele ainda amasse seu passado
judaico, mudou, de antagonista ferrenho para decidido protagonista da fé cristã. “E logo pregava nas
sinagogas a Jesus, afirmando que este é o Filho de Deus.” (At 9.20b) As convicções intelectuais de Paulo
também se modificaram. Sua experiência levou-o a reconhecer que Jesus era o Messias, entrando em
conflito frontal com as idéias messiânicas dos fariseus. Seu novo conceito a respeito de Cristo implicou
numa revolução total de seu pensamento.4 Jacques Dupont observa com muita perspicácia que, após
Paulo “haver negado eloqüentemente que um homem crucificado pudesse ser o Messias, ele chegou a
conclusão de que Jesus era mesmo o Messias, e como conseqüência disso reformulou seu conceito
messiânico”.2

Agora, ele entendia também que a morte de Cristo na cruz, que antes parecera ser uma maldição
divina e um fim deplorável para uma vida, era, na realidade, o laço pelo qual Deus reconciliava o mundo
consigo mesmo. Paulo acabou compreendendo que, através da crucificação, Cristo se fez maldição, por
nossa causa (Gl 3.13) e “ele o fez pecado par nos” (2 Co 5.21). Em vez de derrota, a morte de Cristo se
constituiu numa grande vitória, que teve seu ápice na ressurreição. A cruz não era mais uma pedra de

Mais que um Carpinteiro 20 de 35
tropeço, mas a essência da redenção messiânica de Deus. A pregação missionaria de Paulo pode ser
resumida como “Expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse
dentre os mortos; e que este é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio.” (At 17.3)

Em quarto lugar, a missão de Paulo foi mudada. Ele se transformou, de um hostilizador dos
gentios, em missionário aos gentios. De um judeu zelote, ele se transformou num evangelista aos gentios.
Sendo judeu e fariseu, Paulo considerava-os desprezíveis gentios inferiores ao povo escolhido de Deus. A
experiência de Damasco transformou-o num dedicado apóstolo, e a missão de sua vida passou a ser
orientada no sentido de ajudar os gentios. Paulo viu no Cristo que lhe aparecera, o Salvador de todos os
povos. Ele passou, de fariseu ortodoxo, cuja missão era preservar o judaísmo estrito, a um propagador
daquela nova seita radical, chamada cristianismo, a que antes ele se opusera violentamente. Ocorreu nele
uma tal mudança que “todos os que o ouviam estavam atônitos, e diziam: Não é este o que exterminava
em Jerusalém aos que invocavam o nome de Jesus, e para aqui veio precisamente com o fim de os levar
amarrados aos principais sacerdotes?” (At 9.21)

O historiador Philip Schaff afirma: “A conversão de Paulo marcou não somente um ponto crucial
na sua vida pessoal, mas também na história da igreja apostólica e, consequentemente, na história da
humanidade. Foi o evento mais produtivo depois do milagre do Pentecostes, e garantiu a vitória universal
do cristianismo.”5

Durante um almoço, na Universidade de Houston, assentei-me perto de um estudante. Conversando
acerca do cristianismo, ele declarou que não existia nenhuma evidência histórica favorável nem ao
cristianismo nem a Cristo. Ele fazia um curso de História, e notei que um de seus livros era de História
Romana. Informou-me que nele constava um capítulo sobre o apóstolo Paulo e o cristianismo. Após ler
esse capítulo, o estudante achara muito curioso que o trecho que mencionava o apóstolo Paulo iniciava-se
com uma exposição da vida de Saulo de Tarso, e terminava com uma descrição da vida do apóstolo Paulo.
No penúltimo parágrafo, o autor da obra observava que o que acontecera entre os dois períodos não estava
bem claro. Depois que abri no livro de Atos e falei da aparição de Cristo para Paulo, aquele estudante viu
que tal fato era a explicação mais lógica para a conversão de Paulo. Mais tarde, ele também veio a confiar
em Cristo como seu Salvador.

Elias Andrews comenta: “Muitos têm enxergado na transformação radical desse “fariseu de
fariseus” a mais convincente prova da realidade e do poder da religião à qual ele se converteu, como
também o valor e a posição superiores da Pessoa de Cristo.”1 Archibald MacBridle, professor da
Universidade de Aberdeen, escreve o seguinte a respeito de Paulo: “Comparados com suas realizações, os
feitos de Alexandre e Napoleão empalidecem e caem na insignificância.”6 Clemente diz que Paulo
“suportou cadeias sete vezes; pregou o evangelho no Oriente e Ocidente; chegou aos limites do Ocidente;
e teve morte de mártir às mãos das autoridades.”7

Paulo afirmou várias e várias vezes que o Jesus vivo, ressuscitado, transformara sua vida. Estava
tão certo da ressurreição de Jesus de entre os mortos, que ele próprio sofrera morte de mártir por sua
crença.

Dois professores de Oxford, Gilbert West e Lord Lyttleton, propuseram-se a destruir as bases da fé
cristã. West iria demonstrar a falsidade da ressurreição e Lyttleton iria provar que Saulo de Tarso nunca
se convertera ao cristianismo. Ambos chegaram a conclusões exatamente opostas, e se tornaram
ardorosos seguidores de Jesus. Lord Lyttleton escreveu: “A conversão e o apostolado de São Paulo
somente, analisados de forma crua, foram em si mesmos demonstração suficiente para provar que o
cristianismo é uma revelação divina.”8 E conclui que, se os vinte e cinco anos de sofrimento de Paulo, de
seu serviço para Cristo, fossem realidade, então sua conversão fora verdadeira também, pois tudo que ele
fizera era conseqüência daquela mudança súbita. E se sua conversão era verdadeira, então Jesus
ressuscitara realmente, pois tudo que Paulo foi e fez, ele atribuiu a visão que teve do Cristo ressuscitado.

Cap. 8) Quem pode segurar um homem bom?

Um aluno da Universidade do Uruguai indagou: “Professor McDowell, por que o senhor não pode
refutar o cristianismo?” Respondi-lhe: “Por uma razão muito simples. Existe um evento histórico para o
qual não tenho explicação: a ressurreição de Cristo.”

Após mais de 700 horas de estudo do assunto e de investigação detalhada de seus fundamentos,
cheguei a conclusão de que a ressurreição de Jesus ou é uma das mais terríveis, desapiedadas e horríveis
fraudes impingidas à humanidade, ou então é o mais importante evento da História.

A ressurreição tira do plano da filosofia a pergunta: “O cristianismo é válido?” e torna-a uma
questão histórica. Será que o cristianismo tem bases historicamente aceitáveis? Será que existem provas
suficientes para garantir a crença na religião?

Mais que um Carpinteiro 21 de 35
Alguns dos fatos relativos à ressurreição são os seguintes: Jesus de Nazaré, o profeta judeu que se
declarou ser o Cristo anunciado pelas Escrituras judaicas, foi preso, considerado criminoso político, e
crucificado. Três dias após sua morte e sepultamento, algumas mulheres foram ao seu túmulo e
descobriram que seu corpo havia desaparecido. Os discípulos declaravam que Deus o ressuscitara de entre
os mortos, e que ele lhes aparecera várias vezes, antes de ascender aos céus.

Partindo dessa base, o cristianismo espalhou-se por todo o Império Romano, e continuou a exercer
grande influência na humanidade no decorrer dos séculos.

Essa ressurreição ocorreu mesmo?

O sepultamento de Jesus

O corpo de Jesus, de acordo com o costume dos judeus, foi envolto em uma espécie de lençol de
linho. Cerca de cinqüenta quilos de especiarias aromáticas, misturas para formar uma substância pastosa,
foram aplicados no pano que envolvia seu corpo.1 Depois que ele foi depositado num túmulo escavado na
rocha sólida,2 uma pedra bem grande (pesando aproximadamente duas toneladas) foi rolada, por meio de
alavancas, para a entrada da cavidade.3

Um destacamento romano, composto de homens treinados numa rígida disciplina, ficou de guarda à
porta do sepulcro. O temor de uma possível punição “resultava numa observação impecável das suas
responsabilidades, principalmente em casos de vigilância noturna.”4 Esta guarda fixou no túmulo o sinete
romano, um selo que atestava o poder e a autoridade romanos.5 A finalidade daquele lacre era evitar o
vandalismo. Qualquer pessoa que tentasse remover a pedra do túmulo teria que quebrar o selo, e
incorreria na ira da lei romana.

Mas o túmulo estava vazio.

O túmulo vazio

Os seguidores de Jesus afirmaram que ele ressuscitara de entre os mortos. Relataram que ele lhes
aparecera durante um período de quarenta dias, revelando-se a eles através de “muitas provas
incontestáveis”. (Algumas versões falam de “provas infalíveis”.)6 O apóstolo Paulo disse que Jesus
aparecera a mais de quinhentos de seus seguidores em certa ocasião, a maioria dos quais ainda estava viva
e poderia confirmar aquilo que ele dizia.7

A. M. Ramsay escreve: “Creio na ressurreição, em parte porque sem ela uma serie de fatos não
teria explicação.”8 O túmulo vazio era “evidente demais, para poder ser negado”. Paul Althaus afirma que
a ressurreição “não poderia, em Jerusalém, subsistir nem por um dia, nem por uma hora, se o fato de que
o túmulo estava vazio não tivesse sido constatado e firmado, por todos os envolvidos na questão.”9
Paul L. Maier concluiu: “Se todas as evidências forem ponderadas com justiça e cuidadosamente
analisadas, será muito justificável concluir, de acordo com os cânones da pesquisa histórica, que o túmulo
em que Jesus foi sepultado realmente estava vazio na manhã da Páscoa. E ainda não se descobriu o menor
vestígio de evidência em fontes literárias, epígrafes, ou na arqueologia que venha contrariar esta
declaração.”10

Como então se explica o túmulo vazio? Será que poderíamos atribuir ao fato uma causa natural?

Baseando-se em fortíssimas evidências históricas, os cristãos acreditam que Jesus ressuscitou
corporalmente, no tempo e no espaço, pelo poder sobrenatural de Deus. É possível que existam algumas
barreiras a esta crença, mas os problemas inerentes à crença em contrário apresentam dificuldades ainda
maiores.

Os fatos relativos ao túmulo, após a ressurreição, são muito significativos. O lacre romano fora
rompido, e isto implicava automaticamente na crucificação, de cabeça para baixo, daqueles que
houvessem praticado tal ato. A grande pedra fora removida até certa distância, e não apenas afastada da
boca do sepulcro, mas de todo o bloco tumular, parecendo ter sido apanhada e carregada para aquele
ponto.11 O destacamento da guarda fugira. Em seu Digest 49.16, Justino relaciona dezoito infrações pelas
quais um destacamento de guarda poderia ser executado. Entre elas, citava-se dormir no posto, ou
abandoná-lo.

As mulheres que foram ao túmulo encontraram-no vazio; entraram em pânico, e voltaram para
relatar o fato aos discípulos. Pedro e João correram ao local. João chegou primeiro, mas não entrou.
Espiou para dentro do sepulcro e viu as roupas tumulares, usadas, mas sem o usuário. O corpo de Cristo
atravessara-as entrando numa nova dimensão de existência. Encaremos a realidade, isto faz qualquer um
de nós crer, mesmo que seja por um breve momento.

As teorias formuladas para explicar a ressurreição por causas naturais são fracas; na verdade, elas
favorecem ainda mais a crença na veracidade da ressurreição.

Mais que um Carpinteiro 22 de 35
Seria outro o túmulo?

Uma hipótese levantada par Kirsopp Lake sugere que as mulheres que relataram o desaparecimento
do corpo teriam ido a outro túmulo. Se assim foi, os discípulos que foram averiguar a afirmação das
mulheres, também devem ter ido ao túmulo errado. Contudo, podemos estar certos de um fato: as
autoridades judaicas, que haviam solicitado uma guarda romana para vigiar o túmulo, a fim de evitar que

o corpo fosse roubado, não se enganariam quanto à localização dele. Nem o teria a guarda romana, pois
havia estado lá.
Se tivesse se tratado realmente de um erro de identificação do túmulo, as autoridades judaicas não
teriam perdido tempo; logo iriam mostrar o corpo, no túmulo certo, e deste modo conseguiriam abafar
totalmente e para sempre quaisquer rumores de uma possível ressurreição.

Outra tentativa de explicação contrária alega que as aparições de Jesus, após a ressurreição, foram
ilusões ou alucinações. Sem o apoio dos princípios psicológicos que regem as aparições provocadas por
alucinações, esta teoria também destoa da situação histórica, e do estado mental dos apóstolos.

Se era alucinação, então, onde se encontrava o corpo, e por que não foi apresentado?

A teoria do desmaio

Difundida por Venturini há vários séculos atrás, e freqüentemente citada hoje em dia, a teoria do
desmaio afirma que Jesus realmente não morreu, mas simplesmente desmaiou de exaustão, devido à perda
de sangue. Todos pensaram que ele estivesse morto. No entanto, mais tarde ele voltou a si, e os discípulos
acreditaram tratar-se de uma ressurreição.

O cético David Friedrich Strauss – que também não acredita na ressurreição de Jesus – foi a pessoa
que desferiu o golpe mortal a qualquer idéia de que Jesus possa ter simplesmente revivido de um desmaio.
“É impossível que um homem que fugira de um túmulo, semimorto, e que vagueara de um lado para outro
fraco e doente, necessitado de cuidados médicos e da aplicação de bandagens às suas feridas, precisando
de encorajamento e outros cuidados, pudesse dar aos discípulos a impressão de que era um vitorioso sobre
a morte e sobre o túmulo, de que era o príncipe da vida, uma impressão que iria constituir as bases para o
futuro ministério deles. Recobrando-se de um desmaio somente, ele teria enfraquecido a impressão que
deixara neles em vida e na sua morte, e, quando muito, teria emprestado à sua imagem um tom de lirismo,
mas absolutamente não poderia haver transformado seu sofrimento em entusiasmo, nem elevado sua
reverência, tornando-a adoração.”12

O corpo roubado

Outra teoria afirma que o corpo foi roubado pelos discípulos enquanto a guarda dormia.13 A
depressão e o desânimo dos discípulos fornecem um argumento fortíssimo contra a possibilidade de
haverem eles se tornado, subitamente, tão corajosos e atrevidos, a ponto de enfrentar um destacamento de
soldados postados à beira do túmulo, para roubar o corpo. Não se achavam com disposição para fazer
nada disso.

J. N. D. Anderson é deão da Faculdade de Direito da Universidade de Londres, titular da cadeira de
Lei Oriental, na Escola de Estudos Africanos e Orientais, e diretor do Instituto de Estudos de Direito
Avançado da Universidade de Londres. Comentando acerca da hipótese de que os discípulos houvessem
roubado o corpo de Cristo, ele diz: “Isto seria totalmente contrário a tudo que sabemos deles: sua
formação ética, e qualidade de vida, a perseverança em face do sofrimento e perseguição. E também não
seria uma base para a transformação que demonstraram de derrotados e desalentados escapistas, em
testemunhas vibrantes, que nenhum tipo de oposição conseguia calar.”14
A teoria de que as autoridades judaicas ou romanas houvessem removido o corpo de Cristo não é
mais razoável que do provável roubo efetuado pelos discípulos. Se as autoridades mantinham o corpo em
seu poder, ou sabiam onde se encontrava, então, quando os discípulos começaram a pregar em Jerusalém
sobre a ressurreição dele, por que elas não explicaram que o haviam removido? E por que não pegaram o
cadáver, puseram-no numa carroça e fizeram-no circular pelas ruas da cidade? Essa medida certamente
teria destruído o cristianismo.

O Dr. John Warwick Montgomery comenta: “A idéia de que os cristãos primitivos pudessem ter
criado tal história e depois a houvessem divulgado perante aqueles que poderiam tê-los refutado
simplesmente mostrando o corpo de Jesus, supera os limites da credibilidade.”15

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Evidências a favor da ressurreição

O Prof. Thomas Arnold, que durante quatorze anos foi diretor da Escola Rugby, autor da famosa
História de Roma, em três volumes, e indicado para ocupar a cátedra de História moderna em Oxford,
estava bem informado acerca do valor da evidência na determinação de fatos históricos. Ele disse: “Tenho
estado, há muitos anos, a estudar as histórias de outras épocas e a examinar o peso da evidência
apresentada por aqueles que têm escrito a respeito delas, e desconheço qualquer outro fato histórico que
seja provado por evidências melhores e mais amplas, por evidências de toda a sorte, para o entendimento
do pesquisador sincero, do que o grande sinal que Deus nos concedeu, de que Cristo morreu e ressuscitou,
de entre os mortos.”16

O grande escritor inglês Brooke Foss Westcott disse: “Reunindo-se todas as evidências, não é
exagero dizer que não existe outro incidente histórico mais bem apoiado, nem mais variadamente
fundamentado, que a ressurreição de Cristo. Basta apenas a primeira suposição de que ele poderia ser
falso para introduzir-se a idéia da deficiência de provas no caso.”17

O Dr. Simon Greenleaf foi uma das maiores inteligências em questões de direito, nos Estados
Unidos. Ele foi um dos mais famosos mestres do direito, da Universidade de Harvard, e sucedeu ao juiz
Joseph Story no curso de Código Danes, na mesma universidade. H. W. H. Knotts diz o seguinte a seu
respeito no Dicionário Biográfico Americano: “Aos esforços de Story e Greenleaf deve-se a proeminência
atingida pela Faculdade de Direito de Harvard, e sua elevada posição entre as melhores escolas de direito
dos Estados Unidos.” Quando ainda lecionava em Harvard, Greenleaf escreveu uma obra na qual examina

o aspecto legal do testemunho dos discípulos quanto à ressurreição de Cristo. Ele observa que era
impossível que os apóstolos “houvessem persistido na afirmação das verdades que narravam, se Jesus não
houvesse realmente ressuscitado dentre os mortos, e eles tivessem conhecimento desse fato, com a mesma
certeza que tinham de qualquer outro fato.”18 Greenleaf concluiu que a ressurreição de Cristo é um dos
eventos históricos mais bem apoiados por evidências, de acordo com as regras da evidência legal
ministradas nas cortes de justiça.
Outro advogado, Frank Morrisson, dispôs-se a refutar as evidências favoráveis à ressurreição. Ele
pensava que a vida de Jesus era uma das mais belas existências, mas com relação à ressurreição,
acreditava que alguém anexara um mito à história de Jesus. Sua intenção era escrever um relato dos
últimos dias da vida de Cristo, mas iria, naturalmente, desconsiderar a ressurreição. Acreditava que um
exame inteligente e racional de Jesus teria que ignorar sua ressurreição. Entretanto, ao examinar os fatos
com sua visão e formação de homem de leis, teve que mudar de idéia. Eventualmente, ele veio a produzir
uma obra que se tornaria um best-seller: Who Moved the Stone? (Quem removeu a pedra?) O primeiro
capítulo da obra intitula-se: “O livro que se recusava a ser escrito”, e os capítulos restantes apresentavam
decisivamente evidências da ressurreição de Cristo.19

George Eldon Ladd chegou a seguinte conclusão: “A única explicação racional para estes fatos
históricos é que Deus ressuscitou a Cristo em forma corpórea.”20 O crente em Jesus, hoje em dia, pode ter
confiança plena, como fizeram os primeiros cristãos, que sua fé é baseada não em um mito ou lenda, mas
num sólido fato histórico, o do Cristo ressurreto e do túmulo vazio.

E o que é mais importante, cada crente pode experimentar o poder do Cristo ressurreto em sua vida
hoje. Antes de tudo, ele pode saber que seus pecados foram perdoados.21 Em segundo lugar, pode ter a
certeza da vida eterna e de sua ressurreição do túmulo.22 Terceiro, ele pode ficar livre de uma vida vazia e
sem sentido, e ser transformado em nova criatura, em Jesus Cristo.23

Qual é a sua conclusão? E sua decisão? O que você pensa do túmulo vazio? Após examinar as
evidências de um ponto de vista judicial, Lord Darling, antigo Presidente da Suprema Corte da Inglaterra,
concluiu que: “Existem evidências tão fortes, positivas e negativas, de fatos e de circunstâncias, que
nenhum tribunal inteligente, no mundo todo, poderia deixar de chegar ao veredito final de que a história
da ressurreição é verdadeira.”24

Cap. 9) O Verdadeiro Messias, por favor, levante-se!

Jesus tinha várias credenciais que apoiavam suas alegações de que era o Messias, o Filho de Deus.
Neste capítulo, desejo abordar uma delas, que muitas vezes é ignorada, e é das mais profundas: o
cumprimento das profecias em sua vida.

Várias e várias vezes Jesus citou as profecias do Velho Testamento para substanciar suas
declarações de que era o Messias. Gálatas 4.4 diz: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu
Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.” Vemos aqui uma referência às profecias que se cumpriram
em Cristo. “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu

Mais que um Carpinteiro 24 de 35
respeito constava de todas as Escrituras.” (Lc 24.27) E Jesus disse a eles: “São estas as palavras que eu
vos falei, estando ainda convosco, que importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de
Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (v. 44). Ele disse: “Porque se de fato crêsseis em Moisés, também
creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito.” (Jo 5.46) Disse também: “Vosso pai Abraão
alegrou-se por ver o meu dia.” (Jo 8.56) Os apóstolos, os escritores do Novo Testamento, etc.,
constantemente indicavam as profecias cumpridas em Jesus para apoiar as alegações dele de que era o
Filho de Deus, o Salvador, o Messias. “Mas Deus cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os
profetas que o seu Cristo havia de padecer.” (At 3.18) “Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los, e
por três semanas dissertou entre eles, acerca das Escrituras (quer dizer, do Velho Testamento), expondo
e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e que este é o
Cristo, Jesus, que eu vos anuncio.” (At 17.2,3) “Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que
Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro
dia, segundo as Escrituras.” (1 Co 15.3,4)

No Velho Testamento existem cerca de sessenta profecias messiânicas de vulto, e
aproximadamente 270 ramificações, as quais se cumpriram todas em uma pessoa – Jesus Cristo. É muito
interessante observar todas estas predições cumpridas em Cristo, como sendo sua “identificação”. O leitor
provavelmente nunca percebeu como são importantes detalhes tais como seu nome e endereço – e, no
entanto, são estes detalhes que nos distinguem dos outros quatro bilhões de pessoas que habitam este
planeta.

Uma identificação na história

Com detalhes ainda mais expressivos, Deus fez uma descrição na História, para destacar seu Filho,

o Messias, o Salvador da humanidade, de qualquer outra pessoa que já viveu neste mundo – no passado,
presente e futuro. Os detalhes específicos desta identificação podem ser encontrados no Velho
Testamento, um documento que foi escrito durante um período de mil anos, e contém 300 referências à
sua vida. Pelo método das probabilidades, as chances de que apenas 48 destas profecias se cumprissem
numa pessoa eram de 1 em 10157 .
A tarefa de associar essa descrição feita por Deus a um determinado homem é mais complicada
ainda pelo fato de terem todas as profecias referentes ao Messias sido feitas pelo menos 400 anos antes da
ocasião em que ele iria surgir. Alguém pode discordar e afirmar que tais profecias foram escritas depois
que Cristo já viera, e adaptadas de molde a coincidir com os eventos de sua vida. Isto pode até parecer
plausível, mas lembremo-nos de que a Septuaginta, a tradução em grego do Velho Testamento hebráico,
foi produzida entre os anos 200 e 150 A.C. Esta tradução grega mostra que houve um espaço de pelo
menos 200 anos entre o registro das profecias e seu cumprimento em Cristo.

Certamente, Deus estivera preparando uma descrição a que somente o Messias poderia
corresponder. Já houve pelo menos quarenta homens, com alegações razoáveis, que se diziam ser o
Messias judeu. Mas somente um – Jesus Cristo – indicava as profecias cumpridas em sua vida para
fundamentar suas declarações, e somente as credenciais dele apoiavam sua reivindicação.

Citemos alguns destes detalhes. Que eventos tiveram que preceder e coincidir com o aparecimento
do Filho de Deus?

Para iniciar temos que recorrer a Gênesis 3.15. Aqui encontramos a primeira profecia messiânica.
Em toda a Bíblia, há somente um homem que nasceu da “descendência” (ou da semente) da mulher -
todos os outros nasceram da semente do homem. Aqui está um homem que veio ao mundo para desfazer
as obras de Satanás (“ferir sua cabeça”).

Em Gênesis 9 e 10, Deus definiu ainda mais esta identificação. Noé tinha três filhos – Sem, Cão e
Jafé. E hoje, todas as nações do mundo podem traçar sua origem até esses três homens. Mas em sua
definição, Deus eliminou dois terços deles da linhagem messiânica. O Messias viria através da
descendência de Sem.

Depois, continuando até o ano 2000 A.C., encontramos o Senhor chamando um homem de nome
Abraão, para sair da terra de Ur dos Caldeus. Com Abraão, Deus especifica ainda mais suas declarações,
afirmando que o Messias seria descendente dele.1 Todas as famílias da terra seriam abençoadas através
deste homem. Depois, Abraão teve dois filhos, Isaque e Ismael; e muitos dos seus descendentes são
eliminados, quando o Senhor elege o segundo filho, Isaque.2

Isaque, por sua vez, teve dois filhos: Jacó e Esaú, e Deus escolheu a linhagem de Jacó.3 Este teve
doze filhos, dos quais provieram as doze tribos de Israel. E então Deus destacou a tribo de Judá, como a
que continuaria a linha messiânica, eliminando assim 11 doze avos das tribos israelitas. E de todas as
famílias da tribo de Judá, a de Jessé foi a escolhida.4 É possível vermos agora a linha se definindo mais.

Jessé tinha oito filhos, e, em 2 Samuel 7.12-16 e Jeremias 23.5, Deus eliminou 7 oitavos da família

Mais que um Carpinteiro 25 de 35
de Jessé. Ficamos sabendo aí que o Homem de Deus não apenas será da descendência da mulher, da
linhagem de Sem, da raça dos judeus, da linhagem de Isaque, de Jacó, da tribo de Judá, mas também será
da casa de Davi.

Uma profecia datada de aproximadamente 1012 a.C.5 também prediz que as mãos e pés deste
homem seriam traspassados par cravos (isto é, seria crucificado). Esta predição foi escrita oitocentos anos
antes de os romanos colocarem em prática a execução de criminosos pela crucificação.

Isaías 7.14 acrescenta que ele nasceria de uma virgem, um nascimento natural, de uma concepção
sobrenatural, um critério totalmente fora do planejamento e controle humanos. Várias profecias
registradas em Isaías e Salmos6 descrevem o clima social prevalente, e o tipo de recepção que este homem
teria: seu próprio povo o rejeitaria, e os gentios acreditariam nele. Haveria um precursor para ele (Is 40.3;
Ml 3.1), uma voz no deserto, um homem que prepararia o caminho do Senhor antes dele – João Batista.

Trinta moedas de prata

Notemos, também, as sete ramificações de uma profecia7 que define ainda mais o drama. Nela Deus
indicou que o Messias seria (1) traído (2) por um amigo, (3) por trinta moedas (4) de prata, e que estas
seriam (5) atiradas no chão (6) do templo, e utilizadas depois (7) para a compra do campo de um oleiro.

Em Miquéias 5.2, Deus eliminou todas as cidades do mundo, escolhendo Belém, uma localidade
com menos de 1000 habitantes, para ser o berço natal do Messias.

Depois, através de uma série de profecias, ele definiu a seqüência do tempo que distinguiria este
homem. Por exemplo, Malaquias 3.1 e mais quatro versos do Velho Testamento8 definem a vinda do
Messias para uma época em que o templo de Jerusalém ainda estaria de pé. Isto é de grande importância,
quando nos lembramos que o templo foi destruído em 70 A.D., e desde então não foi mais reconstruído.

A linhagem exata, a época, a maneira do crescimento, a reação do povo, a traição e a forma de sua
morte. Estes dados são apenas fragmentos das centenas de detalhes que compõem a identificação que
aponta o Filho de Deus, o Messias, o Salvador do mundo.

Objeção: o cumprimento destas profecias foi pura coincidência

“Ora, poderíamos dizer que tais fatos se cumpriram na vida de Kennedy, Martin Luther King,
Nasser e outros”, replica um crítico.

É; é possível encontrarem-se fatos que são cumprimento destas profecias na vida de outros homens,
mas não todos os sessenta principais, e suas 270 ramificações. Aliás, existe uma recompensa de $1.000,00
dólares para quem encontrar uma pessoa, a exceção de Jesus, em cuja vida tenha se cumprido pelo menos
a metade das predições relativas ao Messias, apresentadas na obra Messiah in Both Testaments (O
Messias, nos dois testamentos) de Fred John Meldau, da publicadora Christian Victory, de Denver, nos
Estados Unidos.

H. Harold Hartzler, da American Scientific Affiliation, prefaciando um livro de Peter W. Stoner,
escreve: “O manuscrito de Sciense Speaks (Fala a Ciência) foi detalhadamente revisado por uma comissão
formada de membros da American Scientific Affiliation e pelo conselho executivo da mesma sociedade e
de um modo geral pode ser considerado digno de fé e acurado, com relação à matéria científica nela
apresentada. A análise matemática nele incluída é baseada sobre princípios de probabilidade
perfeitamente corretos, e o Prof. Stoner aplicou estes princípios de forma adequada e convincente.”9
As probabilidades seguintes foram retiradas desta obra, para mostrar que a possibilidade de
coincidência é anulada pela ciência das probabilidades. Stoner diz que, empregando a moderna ciência da
probabilidade em conexão com oito profecias, “descobrimos que as chances de que um homem tivesse
vivido, até o presente momento, e cumprido todas as oito, é uma em 1017.” Isto significaria que as chances
eram de uma em 100 quadrilhões. A fim de compreendermos melhor este estarrecedor índice de
probabilidade, Stoner ilustra o fato sugerindo que “tomemos 1017 moedas de prata de um dólar, e as
coloquemos sobre a superfície do Estado do Texas, nos Estados Unidos. Elas cobrirão todo o Estado e
formarão uma plataforma de sessenta centímetros de altura. Agora marquemos uma destas moedas, e
misturemos todas elas na superfície do Estado. Coloquemos uma venda nos olhos de uma pessoa, e
digamos a ela que pode ir onde quiser, mas deve pegar a moeda marcada, e mostrar a moeda determinada.
Quais são as chances que ela tem de encontrar a moeda certa? As mesmas chances que os profetas teriam
de haverem escrito aquelas oito profecias para vê-las cumpridas em um homem, desde seus dias até hoje,
considerando-se que eles as tivessem escrito de seu próprio intento.

“Então, estas profecias ou foram dadas por inspiração divina ou os profetas simplesmente as
escreveram de seu próprio consenso. Nesse caso, os profetas tinham apenas uma chance em 1017 de que
elas se realizassem em um homem, mas todas se cumpriram em Cristo.

Mais que um Carpinteiro 26 de 35
“Isto significa que o cumprimento destas oito profecias, por si só, demonstra que Deus inspirou a
produção delas, com uma precisão que incide sabre uma chance entre 1017 possibilidades de erro.9

Outra objeção

Outra objeção que se levanta é a de que Jesus deliberadamente procurou cumprir as profecias dos
judeus. Esta objeção parece plausível até que compreendemos que muitos dos detalhes da vinda do
Messias estavam totalmente fora do controle humano. Por exemplo, o lugar de seu nascimento. Creio que
quase posso escutar Jesus no ventre de Maria, que viajava no lombo de um jumento, a dizer-lhe: “Mãe,
não vai dar tempo.” Depois, quando Herodes perguntou aos principais sacerdotes e escribas: “Onde
deverá o Cristo nascer?” Eles responderam: “Em Belém da Judéia.” (Mt 2.5) A época de sua vinda. A
maneira corno nasceu. A traição de Judas. O preço da traição. A forma como morreu. A reação do povo;
as zombarias, as cuspidas, as pessoas que assistiam. O jogo de dados a propósito de suas vestes. O fato de
não haverem rasgado seu manto, etc. O cumprimento da metade das profecias acha-se totalmente fora de
seu controle. Ele não poderia ter arranjado para nascer da descendência de uma mulher, da linhagem de
Sem, dos descendentes de Abraão, etc. Não é de se espantar que Jesus e os discípulos tenham invocado as
profecias para confirmar suas declarações de que era o Messias.

Por que será que Deus se deu a este trabalho? Creio que ele desejava que Jesus Cristo tivesse todas
as credenciais de que precisaria quando viesse a este mundo. Contudo, o fato mais maravilhoso acerca de
Jesus Cristo é que ele veio para transformar vidas. Somente ele provou a correção das centenas de
profecias do Velho Testamento que descreviam sua vinda. E somente pode cumprir a maior de todas as
profecias para todos aqueles que o aceitarem – a promessa de uma nova vida: “Dar-vos-ei coração novo,
e porei dentro em vós espírito novo… E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as cousas
antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”10

Cap. 10) Será que não existe outro meio?

Recentemente, na Universidade do Texas, um aluno do curso de pós-graduação aproximou-se de
mim e perguntou: “Por que Jesus é o único caminho para um relacionamento com Deus?” Eu demonstrara
que Jesus declarara ser o único caminho para Deus, e que o testemunho das Escrituras e dos apóstolos era
fiel, e que haviam evidências suficientes para apoiar a fé em Jesus Cristo como Salvador e Senhor.
Contudo, ele ainda perguntava: “Por que Jesus? Não existe algum outro meio pelo qual possamos manter
comunhão com Deus? Por que não Buda? Maomé? Será que um homem não pode simplesmente procurar
ter uma vida boa? Se Deus é um Deus de amor, então ele não deveria aceitar todas as pessoas da maneira
como são?”

Certo negociante disse-me: “Evidentemente você provou que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Mas
será que não existem outros meios para se entrar em comunhão com Deus, a não ser Jesus?”

Os comentários acima são indicação de que muitas pessoas hoje indagam por que têm que confiar
em Jesus como Salvador e Senhor a fim de terem um relacionamento com Deus, e experimentar o perdão
dos pecados. Respondi ao estudante dizendo que muitas pessoas não compreendem a natureza de Deus. A
pergunta mais comum é: “Como pode um Deus que é todo amor permitir que um indivíduo pecaminoso
vá para o inferno?” Mas eu perguntaria: “Como é que um Deus santo, justo e perfeito, pode permitir que
um indivíduo pecaminoso esteja em sua presença?” Um erro de compreensão acerca da natureza básica e
do caráter de Deus é que tem causado tantos problemas éticos e teológicos. A maioria das pessoas entende
que Deus é amor, e pára aí. A questão é que ele não é somente um Deus de amor. É também justo, santo e
perfeito.

Basicamente conhecemos a Deus apenas através de seus atributos. Contudo um atributo não é parte
de Deus. Eu costumava pensar que se eu reunisse todos os atributos de Deus – santidade, amor, justiça,
retidão – a soma total seria igual a Deus. Bem, isto não é verdade. Um atributo não é parte de Deus, mas,
sim, uma qualidade acertadamente atribuída a ele. Por exemplo, quando afirmamos que Deus é amor, não
queremos dizer que o amor é uma parte de Deus, mas que o amor é algo que pode ser atribuído a Deus.
Quando Deus age com amor, ele simplesmente está sendo ele mesmo.

Este problema decorreu do fato de a humanidade entrar em pecado. No passado da eternidade,
Deus resolveu criar o homem e a mulher. Basicamente, acredito que a Bíblia ensina que ele criou o
homem e a mulher a fim de dividir com eles seu amor e glória. Mas quando Adão e Eva se rebelaram e
seguiram seu próprio caminho, o pecado penetrou na raça humana. Nesse ponto, os indivíduos se
tornaram pecaminosos, separados de Deus. Foi esta a situação em que Deus se encontrou. Ele criou o
homem e a mulher para dividir com eles sua gloria, porém, eles desdenharam seus desígnios e ordens, e

Mais que um Carpinteiro 27 de 35
decidiram pecar. Então, ele teve que lançar mão de seu amor a fim de salvá-los. Mas, como ele não é
apenas um Deus de amor, mas também santo, justo e reto, sua própria natureza destruiria qualquer
indivíduo pecaminoso. A Bíblia diz: “Porque o salário do pecado é a morte.” Então, como se diz, Deus
se viu em dificuldades.

Nos círculos da Santíssima Trindade – Deus Pai, Filho e Espírito Santo – foi tomada uma decisão.
Jesus, o Filho de Deus, tomaria forma humana. Ele se tomaria o Deus-homem. Isso é descrito em João 1,
onde se diz que a Palavra se fez carne e habitou ou passou a morar entre nós. E também em Filipenses 2,
onde o apóstolo diz que Jesus Cristo se esvaziou, e tomou a forma humana.

Jesus era o Deus-homem. Ele era totalmente homem, como se nunca houvesse sido Deus; e tão
Deus, como se nunca tivesse sido homem. Por sua própria escolha, ele viveu uma vida sem pecado,
obedecendo totalmente ao Pai. A declaração bíblica de que “o salário do pecado é a morte” não se
aplicou a ele. E sendo não apenas um homem finito, mas também um Deus infinito, ele tinha a infinita
capacidade de levar sobre si os pecados do mundo. E quando foi à cruz, há cerca de 2000 anos atrás, um
Deus santo, justo e reto derramou toda a sua ira sabre o Filho. E quando Jesus disse: “Está consumado!”
a natureza reta e justa de Deus foi satisfeita. Poderíamos dizer que, naquele momento, Deus ficou livre
para tratar com a humanidade em amor, sem ter que destruir o homem pecaminoso, pois através da morte
de Jesus na cruz, a natureza reta de Deus foi satisfeita.

Muitas vezes eu pergunto As pessoas: “Por quem foi que Jesus morreu?” E elas em geral
respondem: “Por mim”, ou “Pelo mundo”. Então eu digo: “Está certo. Mas para quem mais ele morreu?”
E elas respondem: “Não sei.” E eu replico: “Para Deus, o Pai.” Pois Cristo não somente morreu por nós,
mas também morreu para o Pai. Isto é descrito em Romanos 3, onde Paulo fala acerca da expiação.
Expiação significa, basicamente, a satisfação de uma exigência. E quando Jesus morreu na cruz, ele não
somente morreu por nós, mas também morreu para satisfazer às santas e justas exigências da natureza
básica de Deus.

Um incidente ocorrido há vários anos na Califórnia ilustra bem o que Jesus realizou na cruz, a fim
de resolver o problema que Deus tinha para solucionar a questão do pecado da humanidade. Uma jovem
foi detida por um guarda, por excesso de velocidade. Ela recebeu um talão de multa e compareceu perante

o juiz, como estabelece a lei local. O juiz leu a acusação e indagou: “Você se declara culpada?” A moça
respondeu: “Sim.” O juiz baixou o martelinho e multou-a em 100 dólares ou 10 dias de detenção. Depois,
aconteceu um fato admirável. O juiz ergueu-se de seu lugar, tirou sua toga, deu a volta, e chegou à frente
da mesa. Retirou a carteira do bolso e pagou a multa. Qual e a explicação de tal fato? O juiz era o pai da
moça. Ele amava a filha, mas era um juiz íntegro. A jovem havia transgredido a lei, mas ele não poderia
simplesmente dizer-lhe: “Como eu a amo muito, eu a perdôo. Pode ir.” Se houvesse feito isso, não seria
um juiz honesto. Não estaria apoiando a lei. Mas ele amava a filha tanto que estava disposto a desvestir-se
de sua toga, e descer de sua posição, ir ali à frente, e representá-la como seu pai, e pagar a multa.
Esta ilustração mostra, até certo ponto, o que Deus fez por nós através de Jesus Cristo. Nós
pecamos. A Bíblia diz: “O salário do pecado é a morte.” Não importa o quanto ele nos tenha amado,
Deus tinha que baixar o martelinho de juiz e declarar: “Morte!”, pois ele é santo e justo. Entretanto, sendo
um Deus de amor, ele nos amou tanto, que estava disposto a descer do seu trono, na forma de um homem,
Jesus Cristo, e pagar por nós o preço, que foi a morte na cruz.

Nesse ponto, muitas pessoas indagarão: “Por que Deus não poderia simplesmente perdoar?” Um
presidente de uma grande empresa disse: “Meus empregados, muitas vezes, fazem certas coisas erradas,
quebram um ou outro objeto, e eu apenas perdôo.” Depois ele perguntou: “Você quer convencer-me de
que posso fazer uma coisa que Deus não pode?” Mas as pessoas não percebem que sempre que há perdão,
é porque houve algum tipo de compensação. Por exemplo: digamos que minha filha quebre um abajur
dentro de casa. Sou um pai amoroso; então abraço-a e digo: “Não chore, meu bem. O papai a ama e
perdoa.” Geralmente, a pessoa a quem relato este fato diz: “Bem, é isto que Deus deve fazer.” Então
pergunto: “E quem paga pela perda?” A resposta é: “eu pago”. Sempre existe um preço para o perdão.
Digamos que alguém o insulte na frente dos outros, e mais tarde, num gesto simpático você lhe diga: “Eu

o perdôo” Quem está pagando o preço do insulto? Você.
Foi isto que Deus fez. Ele disse: “Eu o perdôo.” Mas estava disposto, ele próprio, a pagar o preço
através do sacrifício na cruz.

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Cap. 11) Ele transformou minha vida
Jesus Cristo está vivo. O fato de eu estar vivo, fazendo as coisas que faço, é evidência de que Jesus
Cristo ressuscitou de entre os mortos.

São Tomás de Aquino escreveu: “Dentro de cada pessoa existe uma grande sede de felicidade e
propósito na vida.” Quando eu era jovem, queria ser feliz. Não há nada errado com isto. Eu desejava ser
um dos indivíduos mais felizes do mundo. Também queria encontrar um propósito para a vida. Queria
saber a resposta de questões tais como: “Quem sou eu?” “Por que estou aqui na terra?” “Para onde irei?”

Mais que isso, eu desejava ser livre. Queria ser uma das pessoas mais livres do mundo. Mas ser
livre, no meu entender não é sair por ai, e fazer tudo que se quer. Qualquer pessoa pode agir assim, e
muitas estão agindo. Ser livre “é ter o poder para se fazer o que se sabe ser nosso dever”. A maioria das
pessoas sabe o que deve fazer, mas não tem forças para isto. Estão em cativeiro.

Então comecei a procurar as soluções de tais indagações. Ao que parecia, todo mundo estava
associado a uma ou outra religião, portanto, fiz o que parecia mais certo. Fui a uma igreja. Todavia, devo
ter ido para a igreja errada. Alguns leitores devem saber a que estou-me referindo. Exteriormente, tudo
estava bem, mas, interiormente, eu me sentia horrivelmente. Ia a igreja pela manhã, a tarde e a noite.

Porém, sou muito prático; quando algo não dá certo, eu o rejeito. Rejeitei a religião. A única coisa
positiva que lucrei na religião foram os 25 centavos que eu punha na oferta e os 35 que tirava para o
sorvete. E isto é tudo que muitas pessoas lucram na “religião”.

Comecei a ponderar se “prestígio” não seria a solução. Ser líder, adotar uma causa, dedicar-me a
ela, e “ser conhecido” – essa devia ser a solução. Na primeira universidade em que estudei, vi que os
alunos-líderes detinham os cordões da bolsa e faziam o que queriam. Então, candidatei-me a presidente da
turma do primeiro ano, e fui eleito. Era maravilhoso conhecer todo mundo no Campus, e ver que todos
me cumprimentavam; era bom tomar as decisões, gastar o dinheiro da universidade, dos estudantes, e
escolher os oradores que desejava ouvir. Foi maravilhoso, mas acabou “perdendo a graça”, como tudo o
mais. E eu acordava na segunda-feira pela manhã, geralmente com uma terrível dor de cabeça, por causa
da noitada no dia anterior, e minha atitude era: “Bem, vamos agüentar mais cinco dias.” Eu suportava
tudo, de segunda até sexta-feira. A felicidade girava ao redor daquelas três noites da semana: sexta-feira,
sábado e domingo. Depois, o círculo vicioso se reiniciava.

Ah, enganei todo mundo na universidade. Pensavam que eu era o rapaz mais despreocupado que
havia por ali. Durante as campanhas políticas, usávamos o lema: “Happiness is Josh.” (Felicidade é Josh)
Realizei mais festas com o dinheiro dos estudantes que qualquer outro, mas eles não percebiam que
minha felicidade era igual a de muitas pessoas. Dependia de minhas próprias circunstâncias. Se as coisas
iam bem, eu estava bem. Se as coisas iam mal, eu estava mal.

Eu era como um navio em alto mar, sendo jogado de um lado para outro pelas ondas das
circunstâncias. Existe um termo bíblico que define este tipo de vida: -inferno. Mas eu não conhecia
ninguém que vivesse de modo diferente, e não achava ninguém que me ensinasse a viver de outro modo
ou dar-me forças para fazê-lo. Comecei a sentir-me frustrado.

Creio que poucos alunos de universidade e escolas superiores são mais sinceros em sua busca de
um sentido para a vida, da verdade ou de um objetivo para a vida do que eu fui. Ainda não o encontrara,
mas não compreendera isto, a princípio. Mas comecei a notar, na escola, um pequeno grupo de pessoas -
oito alunos e dois professores – na vida dos quais havia algo diferente. Pareciam saber por que criam e em
que criam. Gosto de associar-me com pessoas assim. Não me importo se elas concordam comigo ou não.
Alguns de meus amigos mais chegados opõem-se às coisas em que creio; mas eu admiro as pessoas que
têm convicção. (Não conheço muitas; mas admiro as que conheço.) E por isso que as vezes me sinto mais
a vontade com alguns líderes radicais do que com muitos cristãos. Alguns dos cristãos que conheço são
tão incertos, que me pergunto se 50º/o dos cristãos não estariam apenas passando por cristãos. Mas os
componentes daquele pequeno grupo pareciam saber o que queriam. E isto é incomum entre estudantes
universitários.

Comecei a notar que aquelas pessoas não se limitavam simplesmente a falar sobre amor. Elas se
envolviam com os outros. Pareciam estar sempre acima das circunstâncias da vida universitária. Parecia
que todos os outros carregavam um pesado fardo. Um fato importante que notei, é que pareciam gozar de
felicidade, um estado de espírito que não dependia das circunstâncias. Pareciam possuir uma fonte de
alegria interior constante. Elas eram irritantemente felizes. Possuíam algo que eu não possuía.

E como acontecia com a média dos estudantes, quando eu via alguém que possuía algo que eu não
tinha, eu a queria. É por isso que precisamos trancar as bicicletas num Campus universitário. Se a
educação fosse a solução para os males da sociedade, a universidade, provavelmente, seria a sociedade
mais elevada moralmente. Mas não é. E então resolvi iniciar um relacionamento com aquelas pessoas
desconcertantes.

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Duas semanas depois que tomei aquela decisão, estávamos todos assentados em torno de uma
mesa, no Centro Estudantil, seis alunos e dois membros de corpo docente. E a conversa começou a girar
em tomo de Deus. Num grupo assim, quando a conversa toma esse rumo, a pessoa que é insegura tende a
exibir uma grande fachada. Todo Campus da universidade tem um “falador”, um sujeito que logo diz:
“Ah… Cristianismo, ha! ha! isto é coisa de fracotes; não dá para intelectuais.” (Geralmente, quanto mais
falador, mais longa e a pausa.)

Mas como já estivessem me incomodando, resolvi, por fim, dirigir-me a um deles. Olhei para uma
jovem muito bonita (eu costumava pensar que todas as moças crentes eram feias); recostei-me na cadeira,
pois não queria que os outros pensassem que eu estava muito interessado, e disse: “Diga-me uma coisa. O
que mudou a vida de vocês? Por que são tão diferentes dos outros estudantes, dos líderes, dos professores;
por quê?”

Aquela moça devia ter muita convicção. Ela fitou-me diretamente nos olhos, sem sorrir, e disse
duas palavras que eu nunca pensaria receber como resposta, em uma universidade. Ela disse: “Jesus
Cristo.” Retruquei: “Ah, não! Por Deus! Não me venha com este lixo. Estou saturado de religião; estou
saturado de igreja; estou saturado de Bíblia. Não me venha com este lixo de religião.” Mas ela respondeu
prontamente: “Senhor, eu não disse religião: eu disse Jesus Cristo.” Ela mencionava algo em que eu
nunca pensara antes. O cristianismo não é uma religião. A religião é uma atitude dos homens tentando
abrir caminho para Deus, através de boas obras. O cristianismo é o ato de Deus dirigindo-se a homens e
mulheres, através de Jesus, oferecendo-lhes um relacionamento consigo mesmo.

Não existe outro lugar em que haja mais pessoas com idéias erradas acerca do cristianismo do que
numa universidade. Recentemente, conheci um assistente de certa cadeira que comentou em um curso de
estudos que “qualquer pessoa que entra numa igreja, toma-se cristã”. Repliquei: “E será que entrar numa
garagem o transforma num carro?” Não existe a mínima correlação. O cristão é uma pessoa que deposita
toda a sua confiança em Cristo.

Meus novos amigos desafiaram-me a examinar, intelectualmente, as alegações de que Jesus Cristo
é o Filho de Deus; que ele encarnou e viveu entre os homens verdadeiramente, e morreu na cruz pelos
pecados da humanidade; que ele foi sepultado e, três dias depois, ressuscitou, e que poderá modificar a
vida de qualquer pessoa, neste século XX.

Pensei que tudo era uma farsa. Na verdade, eu achava que todos os crentes eram uns consumados
idiotas. Eu já conhecera alguns deles. Sempre costumava esperar que um crente dissesse qualquer coisa
em classe para poder arrasá-lo de todos os modos, e derrotar o pobre e inseguro crente com golpes fatais.
Acreditava que o crente que tivesse um pouco de miolo no cérebro, morreria de solidão. Eu não sabia
nada.

Mas aquelas pessoas me desafiaram várias e várias vezes. Por fim, aceitei o desafio, mas fi-lo por
orgulho, para refutá-los. O que eu não sabia era que havia fatos. Não sabia que existem evidências que
qualquer pessoa pode examinar. Afinal, minha mente chegou a conclusão de que Jesus Cristo deve ter
sido quem ele se dizia ser. Aliás, em meus primeiros dois livros, minha intenção era combater o
cristianismo. Quando vi que não conseguia, acabei-me tornando cristão. Agora, já fazem treze anos que
escrevo acerca da razão por que creio que esta fé em Jesus Cristo é intelectualmente possível.

Naquela época, porém, eu me vi a braços com um problema. Minha mente dizia-me que tudo era
verdade, mas minha vontade me empurrava em outra direção. Descobri que tomar-se cristão era uma
experiência de anulação do ego. Jesus Cristo fez um desafio direto à minha vontade, para que confiasse
nele. Deixe-me parafraseá-lo: “Olhe! Eu tenho estado à sua porta, batendo continuamente. Se alguém me
ouvir chamá-lo e abrir a porta, eu entrarei.” (Ap. 3.20) Que me interessava se ele andara sabre o mar, se
transformara a água em vinho? Não queria perto de mim nenhum desmancha-prazeres. Eu não conhecia
outro meio melhor de estragar uma festa. Aqui então estava minha mente dizendo que o cristianismo era
verdade, mas minha vontade arrastava-me em outra direção.

Todas as vezes que me achava por perto daqueles entusiásticos cristãos, o conflito reiniciava. Se o
leitor já esteve cercado de pessoas felizes, quando se sentia infeliz, compreenderá como aquelas pessoas
me perturbavam. Elas eram tão alegres, e eu tão infeliz, que eu, literalmente, me levantava e saía correndo
do centro estudantil. A situação chegou a um ponto em que eu me deitava às dez da noite, mas só
conseguia dormir às 4h00 da manhã. Compreendi que tinha que tirar aquilo da cabeça, antes que viesse a
perder a própria cabeça. Eu estava sempre de mente aberta, mas não tão aberta que chegasse a perder os
miolos.

Mas como eu era mesmo de mente aberta, no dia 19 de dezembro de 1959, às 8h30 da noite, em
meu segundo ano da universidade, eu me tornei um cristão.

Alguém perguntou-me: “Como sabe disso?” Respondi: “Foi comigo que tudo se passou. Aquilo
transformou a minha vida.” Naquela noite eu orei. Disse quatro coisas para estabelecer um
relacionamento com o Cristo vivo e ressurreto, que desde então mudou tudo para mim.

Mais que um Carpinteiro 30 de 35
Primeiramente eu disse: “Graças te dou, Senhor Jesus, por teres morrido na cruz par mim”. Depois:
“Confesso as coisas que há em minha vida e que não te agradam e peço-te que me perdoes e me
purifiques.” (A Bíblia diz: “Ainda que os vossos pecados são como a escarlate, eles se tornarão brancos
como a neve.”) Em terceiro lugar, eu disse a Deus: “Agora, Senhor, da melhor maneira possível a mim,
abro a porta do meu coração e da minha vida, e confio em ti, como meu Salvador e Senhor. Toma o
controle de minha existência. Transforma-me de dentro para fora. Torna-me o tipo de pessoa para o qual
me criaste.”

A última coisa que disse foi: “Graças te dou por entrares em minha vida, pela fé.” Foi uma fé que
não se baseou na ignorância, mas sim, em evidências e em fatos históricos e na Palavra de Deus.

Estou certo de que o leitor já ouviu várias pessoas falando sabre o “relâmpago” que lhes sobreveio.
Bem, comigo não houve nada disso depois que orei. Não aconteceu nada mesmo. Nem tampouco comecei
a criar “asas”. Na verdade, depois de haver tomado aquela decisão, senti-me pior. Senti como se fosse
vomitar; fiquei enjoado. “Ah, não! Onde você foi se meter agora?” perguntava-me. Eu realmente pensava
que mergulhara no desconhecido (e estou certo de que algumas pessoas pensavam que realmente tal me
sucedera).

Mas posso afirmar uma coisa: de seis meses a um ano e meio depois, descobri que não o fizera.
Minha vida estava transformada. Eu estava em debate com o diretor do departamento de História da
Universidade, e disse-lhe que minha vida havia sido transformada, e ele interrompeu-me dizendo:
“McDowell, você está realmente querendo dizer que Deus mudou sua vida, no século XX? Em que
áreas?” Quarenta e cinco minutos depois, ele disse: “Está bem! Basta!”

Uma área que mencionei para ele foi minha inquietação. Eu sempre estava desinquieto. Tinha que
estar sempre na casa da namorada, ou em outro lugar conversando. Eu atravessava todo o Campus, com a
mente num redemoinho de conflitos. Tentava sentar-me e estudar ou meditar, e não conseguia. Mas
poucos meses depois que fiz minha decisão por Cristo, desceu sobre mim uma espécie de paz mental. Não
me compreenda mal. Não estou falando de uma ausência de conflitos. O que eu obtive deste
relacionamento com Jesus não foi uma ausência de problemas, mas possibilidade de fazer face a eles. E
eu não trocaria isto por nada deste mundo.

Outro aspecto de minha personalidade que mudou muito foi meu mau gênio. Eu costumava
explodir só de alguém olhar-me atravessado. Ainda trago as cicatrizes de uma tentativa de matar um
homem, no primeiro ano da universidade. Meu gênio era tão parte de mim, que não procurei modificá-lo
conscientemente. Certa vez, numa crise, cheguei ao ponto em que iria descontrolar-me, mas descobri que
não havia mais tal coisa – e quando aconteceu, passei seis anos penitenciando-me.

Há ainda outro aspecto do qual não me orgulho muito. Mas vou mencioná-lo, pois sei que muitas
pessoas precisam ter a mesma modificação em sua vida, e eu descobri a fonte da mudança: um
relacionamento com o Cristo vivo. Este aspecto de que falo é o ódio. Eu tinha muito ódio em minha vida.
Não era um ódio que se exteriorizava, mas era algo que eu remoía interiormente. Estava sempre irritado
com as pessoas, com os problemas. Como muitas pessoas, eu era inseguro. Cada vez que conhecia alguém
diferente, ela se tornava uma ameaça para mim. Mas havia uma pessoa que eu o odiava mais que qualquer
outra – meu pai. Eu detestava até a sombra dele. Para mim, ele era o vagabundo da cidade. Se você mora
numa cidade pequena e seu pai ou sua mãe é alcoólatra, então você sabe de que estou falando. Todo
mundo sabe. Meus amigos na escola faziam piadas acerca de meu pai, bêbado, nos bares do centro. Não
pensavam que aquilo me magoava. Eu era como certas pessoas, ria por fora, mas par dentro, chorava. Eu
ia ao celeiro e via minha mãe marcada de tanto apanhar, caída sabre o esterco das vacas. Quando os
amigos vinham visitar-me, eu levava meu pai para o celeiro e o amarrava lá, e escondia o carro; e depois
dizia aos amigos que ele tivera que sair. Acho que ninguém poderia odiar uma pessoa mais do que odiei
meu pai.

Depois que fiz minha decisão ao lado de Cristo – talvez cinco meses depois – entrou em meu
coração um grande amor, proveniente de Deus, através de Jesus Cristo. Esse amor era tão forte, virou
aquele ódio de cabeça para baixo. Pude olhar meu pai diretamente nos olhos e dizer: “Pai, eu o amo!” E
eu estava realmente sendo sincero ao dizer aquilo. Depois de todas as coisas que eu lhe havia feito, aquilo
abalou-o muitíssimo.

Em seguida à minha transferência para uma universidade particular, sofri um acidente de carro,
bem sério. Fui levado para casa com a cabeça numa tração. Nunca esquecerei como meu pai entrou em
meu quarto e perguntou: “Filho, como você pode amar um pai como eu?” Respondi: “Papai, há seis
meses, eu o desprezava.” E a seguir, contei-lhe de minhas conclusões acerca de Jesus Cristo: “Papai,
deixei Cristo entrar em minha vida. Não sei explicar perfeitamente, mas em conseqüência desse
relacionamento, descobri a capacidade da amar e aceitar, não somente o senhor, mas outras pessoas, da
maneira como são.”

Quarenta e cinco minutos mais tarde aconteceu uma das maiores maravilhas de minha vida. Aquela

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pessoa de minha família, que me conhecia tão bem e a quem eu não poderia enganar, disse-me: “Filho, se
Deus puder fazer em minha vida aquilo que o vi fazer na sua, então quero dar a ele a chance de fazê-lo.”
E ali mesmo, meu pai orou comigo e confiou em Cristo.

Geralmente, as mudanças ocorrem num período de vários dias, seis meses e até um ano. Minha
vida foi transformada entre seis meses e um ano e meio. A vida de meu pai modificou-se bem diante de
meus olhos. Foi como se alguém houvesse estendido a mão e acendido uma lâmpada. Nunca vira uma
transformação tão rápida antes. Meu pai tocou em uísque apenas uma vez depois disso. Ele o levou aos
lábios, mas foi só. Cheguei a uma conclusão. Um relacionamento transforma vidas.

Você pode rir do cristianismo, pode zombar e ridicularizar. Mas ele realmente opera. Ele
transforma vidas. Se você vier a confiar em Cristo, comece a observar suas atitudes e atos, pois a verdade
é que Cristo ainda hoje modifica vidas.

Mas o cristianismo não é algo que se empurra pela garganta abaixo, ou se impõe a alguém. Cada
pessoa tem que viver a sua vida; eu tenho a minha. A única coisa que posso fazer é relatar aquilo que
aprendi.

Além disso, nada mais poderei fazer, e a decisão fica com cada um.

Talvez a oração que fiz possa servir-lhe de modelo. “Senhor Jesus, preciso de ti. Agradeço-te por
teres morrido na cruz por mim. Perdoa-me e purifica-me. Neste exato momento, passo a confiar em ti
como meu Salvador e Senhor. Torna-me como queres que eu seja, segundo a finalidade para a qual me
criaste. Em nome de Cristo. Amém.”

====================
Referências do capítulo 1

1. A. H. Strong, Systematic Theology. (Philadelphia: Judson Press, 1907), Vol. 1, p. 52.
2. Archibald Thomas Robertson, Word Pictures in the New Testament (Nashville: Broadman Press,
1932), Vol. 5, p. 186.
3. Leon Morris, “The Gospel According to John,” The New International Commentary on The New
Testament (Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Co., 1971), p. 524.
4. Charles F. Pfeiffer, and Everett F. Harrison (Eds.), The Wycliffe Bible Commentary (Chicago:
Moody Press, 1962), pp. 943, 944.
5. Lewis Sperry Chafer, Systematic Theology (Dallas Theological Seminary Press, 1947, Vol. 5), p.
21.
6. Robert Anderson, The Lord from Heaven (London: James Nisbet and Co., Ltd., 1910), p. 5.
7. Henry Barclay Swete, The Gospel According to St. Mark (London: Macmillan and Co., Ltd.,
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8. Irwin H. Linton, The Sanhedrin Verdict (New York: Loizeaux Brothers, Bible Truth Depot,
1943), p. 7.
9. Charles Edmund Deland, The Mis-Trials of Jesus (Boston: Richard G. Badger, 1914), pp. 118 -
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Referências do capítulo 2

1. C. S. Lewis, Mere Christianity (New York: The MacMillan Company, 1960), pp. 40-41.
2. F. J. A. Hort, Way, Truth, and the Life (New York: MacMillan and Co., 1894), p. 207.
3. Kenneth Scott Latourette, A History of Christianity (New York: Harper and Row, 1953), pp. 44,
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4. William E. Lecky, History of European Morals from Augustus to Charleinagne (New York: D.
Appleton and Co., 1903), Vol. 2, pp. 8, 9.
5. Philip Schaff, History of the Christian Church (Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing
Co., 1962). (Reprint from original 1910), p. 109.
6. Philip Schaff, The Person of Christ (New York: American Tract Society, 1913), pp. 94-95; p. 97.
7. Arthur P. Noyes, and Lawrence C. Kolb, Modern Clinical Psychiatry (Philadelphia: Saunders,
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8. Clark H. Pinnock, Set Forth Your Case (New Jersey: The Craig Press, 1967), p. 62.
9. J. T. Fisher, and L. S. Hawley, A Few Buttons Missing (Philadelphia: Lippincott, 1951), p. 273.
10. C. S. Lewis, Miracles: A Preliminary Study (New York: The MacMillan Company, 1947), p.
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Mais que um Carpinteiro 32 de 35
Referências do capítulo 3

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2. James B. Conant, Science and Common Sense(New H; en: Yale University Press, 1951), p. 25.
Referências do capítulo 4

1. Millar Burrows, What Mean These Stones. (New York: Meridian Books, 1956), p. 52.
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3. William F. Albright, Christianity Today, Vol. 7, Jan. 18, 1963, p. 3.
4.
Sir William Ramsay, The Bearing of Recent Discovery on the Trustworthiness of the New
Testament. (London: Hodder and Stoughton, 1915], p. 222.
5. John A. T. Robinson, Redating the New Testament (London: SCM Press, 1976).
6. Simon Kistenmaker, The Gospels in Current Study. (Grand Rapids: Baker Book House, 1972),
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7. A. H. McNeile, An Introduction to the Study of the New Testament. (London: Oxford University
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11. F. F. Bruce, The New Testament Documents: Are They Reliable? (Downers Grove, III. 60515:
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12. Sir Frederic Kenyon, The Bible and Archoeology. (New York: Harper and Row, 1940), pp. 288,
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15. Louis R. Gottschalk, Understanding History (New York: Knopf, 1969, 2nd ed), p. 150; p. 161;
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19. Eusebius. Ecclesiastical History, Book 3, Chapter 39.
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22. F. F. Bruce, “Archaeological Confirmation of the New Testament,” in Revelation and the Bible.
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24. Clark Pinnock, Set Forth Your Case (New Jersey: The Craig Press, 1968), p. 58.
Referências do capítulo 5

1. Michael Green, “Editor’s Preface” In George Eldon Ladd, I Believe in the Resurrection of Jesus
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3. Michael Green, Man Alive! (Downers Grove, III.: InterVarsity Press. 1968), pp. 23-24.
4. Kenneth Scott Latourette, A History of Christianity (New York: Harper and Brothers Publishers,
1937) Vol. I, p. 59.
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5. Paul Little, Know Why You Believe(Wheaton, III; Scripture Press Publications, Inc., 1971), p. 63.
6. Herbert B. Workman, The Martyrs of the Early Church (London: Charles H. Kelly, 1913), pp.
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7. Harold Mattingly, Roman Imperial Civilization (London: Edward Arnold Publishers, Ltd., 1967),
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8. Gaston Foote, The Transformation of the Twelve (Nashville: Abingdon Press, 1958), p. 12.
9. Simon Greenleaf, An Examination of the Testimony of the Four Evangelists by the Rules of
Evidence Administered in the Courts of Justice (Grand Rapids: Baker Book House, 1965.
Reprint of 1874 edition. New York: J. Cockroft and Co.), p. 29.
Referências do capítulo 6

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3. Joseph Klausner, The Messianic Idea in Israel (New York: The MacMillan Co., 1955), p. 23.
4.
Jacob Gartenhaus, “The Jewish Conception of the Messiah,” Christianity Today, March 13,
1970, pp. 8-10.
5. The Jewish Encyclopaedia (New York: Funk and Wagnalls Co., 1906), Vol. 8, p. 508.
6. Millar Burrows, More Light on the Dead Sea Scrolls (London: Seeker & Warburg, 1958), p. 68.
7. A. B. Bruce, The Training of the Twelve (original 1894) (Grand Rapids: Kregel Publications,
1971), p. 177.
8. Alfred Edersheim, Sketches of Jewish Social Life in the Days of Christ (reprint edition; Grand
Rapids: William B. Eerdmans Publishing Co., 1960), p. 29.
9. George Eldon Ladd, I Believe in the Resurrection of Jesus (Grand Rapids: William B. Eerdmans
Publishing Co., 1975), p. 38.
Referências do capítulo 7

1. The Encyclopaedia Britannica, William Benton, Publisher. (Chicago: Encvclopaedia Britannica,
Inc., 1970), Vol. 17, (a) p. 469; (b) p. 476; (c) p. 473; (d) p. 469.
2. Jacques Dupont, “The Conversion of Paul, and Its Influence on His Understanding of Salvation
by Faith,” Apostolic History and the Gospel. Edited by W. Ward Gasque and Ralph P. Martin
(Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co.. 1970), p. 177; p. 76.
3. Kenneth Scott Latourette, A History of Christianity (New York: Harper & Row, 1953), p. 76.
4. W. J. Sparrow-Simpson, The Resurrection and the Christian Faith (Grand Rapids: Zondervan
Publishing House, 1968), pp. 185-186.
5. Philip Schaff, History of the Christian Church, Vol. I. Apostolic Christianity, A.D. 1-100 (Grand
Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1910), p. 296.
6. Chambers’s Encyclopedia (London: Pergamon Press, 1966), Vol. 10, p. 516.
7. Philip Schaff, History of the Apostolic Church (New York: Charles Scribner, 1857), p. 340.
8. George Lyttleton, The Conversion of St. Paul (New York: American Tract Society, 1929), p.
467.
Referências do capítulo 8

1. João 19:39,40.
2. Mateus 27:60.
3. Marcos 16:4.
4. George Currie, The Military Discipline of the Romans from the Founding of the City to the Close
of the Republic. An abstract of a thesis published under the auspices of the Graduate Council of
Indiana University, 1928, pp. 41-43.
5. A. T. Robertson, Word Pictures in the New Testament (New York: R. R. Smith, Inc., 1931), p.
239.
6. Atos 1:3.
7. 1 Corintios 15:3-8.
8. Arthur Michael Ramsey, God, Christ and the World (London: SCM Press, 1969), pp. 78-80.
9. Paul Althaus, Die Wahrheit des kirchlichen Osterglaubens (Gutersloh: C. Bertelsmann, 1941),
pp. 22, 25ff.
10. Independent, Press-Telegram, Long Beach, Calif., Saturday, April 21, 1973, p. A-10.
Mais que um Carpinteiro 34 de 35
11. Josh McDowell, Evidence That Demands a Verdict (San Bernardino, Calif: Campus Crusade
for Christ International, 1973), p. 231.
12. David Frederick Strauss,
The Life of Jesus for the People (London: Williams and Norgate,
1879, 2nd ed.), Vol. 1, p. 412.
13. Mateus 28:1-15.
14. J. N. D. Anderson, Christianity: The Witness of History, copyright Tyndale Press, 1970. Used
by permission of InterVarsity Press, Downers Grove, III., p. 92.
15. John Warwick Montgomery, History and Christianity (Downers Grove, III.: InterVarsity Press,
1972), p. 78.
16. Thomas Arnold, Christian Life – Its Hopes, Its Fears, and Its Close (London: T. Fellowes,
1859, 6th ed.), p. 324.
17. Paul E. Little, Know Why You Believe (Wheaton: Scripture Press Publications, Inc., 1967), p.
70.
18. Simon Greenleaf, An Examination of the Testimony of the Four Evangelists by the Rules of
Evidence Administered in the Courts of Justice (Grand Rapids: Baker Book House, 1965.
Reprint of 1874 edition. New York: J. Cockroft and Co., 1874), p. 29.
19. Frank Morison, Who Moved the Stone? (London: Faber and Faber, 1930).
20.
George Eldon Ladd, I Believe in the Resurrection of Jesus (Grand Rapids: William B.
Eerdmans Publishing Co., 1975), p. 141.
21. 1 Coríntios 15:3.
22. 1 Coríntios 15: 19-26.
23. João 10:10; 2 Coríntios 5: 17.
24. Michael Green, Man Alive (Downers Grove, III.: Inter-Varsity Press, 1968), p. 54.
Referências do capítulo 9

1. Gênesis 12; 17; 22.
2. Gênesis 17; 21.
3. Gênesis 28; 35:10-12; Números 24:17.
4. Isaías 11:1-5.
5. Salmo 22:6-18; Zacarias 12:10; comparados com Gálatas 3:13.
6. Isaías 8:14; 28:16; 49:6; 50:6; 52:53; 60:3; Salmo 22:7,8; 118: 22.
7. Zacarias 11:11-13; Salmo 41; comparados com Jeremias 32:6-15 e Mateus 27:3-10.
8. Salmo 118:26; Daniel 9:26; Zacarias 11:13; Ageu 2:7-9.
9. Peter W. Stoner, and Robert C. Newman, Science speaks (Chicago: Moody Press, 1976), pp.
106-112.
10. Ezequiel 36:25-27; 2 Coríntios 5:17.
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Um comentário em “Cientista pesquisou Jesus por 10 anos e escreveu este livro…

  1. MUITO BOM disse:

    Otima narrativa com farta documentacao. Parabens por divulgar na internet.

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