O Bicho de Ponta-cabeça – (Outro olhar sobre o poema “O BICHO”, de Manuel Bandeira)

O BICHO DE PONTA-CABEÇA
(Outro olhar sobre o poema “O BICHO”, de Manuel Bandeira)
Jair Tenório Jatobá

Imagem
“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava
Engolia com voracidade.

O Bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.”

Ah! Meu querido Bandeira
Vamos sair dessa esteira
De ver coisas como estão?

Vamos andar ao revés
Vamos sair do viés
Pra ver mesmo como são?

E pra que ninguém esqueça
Perdoe se parecer vão
virar de ponta-cabeça
Esse seu precioso pão.

“O bicho, meu Deus, era um homem,
Não era um rato,
Não era um gato.
O bicho não era um cão.

Engolia com voracidade,
Não examinava nem cheirava,
Quando achava alguma coisa.

Catando comida entre os detritos,
Na imundície do pátio,
Vi ontem um bicho.”

Mas não era bicho não
Bicho só come da natureza,
E ela muda tudo em pão.
Bicho não come lixo.
Pensei ter visto um bicho,
Mas não era bicho não.

Imune a tantos venenos
Do pão à ingratidão.
Ali resistindo ao lixo
Da humana corrupção
Não era bicho nem homem
Era um anjo, meu irmão!

Desses que vem e somem,
Pra mostrar em cada nicho
Na missão que os consome
O que é de ouro, o que é de lixo
O que é coração de bicho,
O que é coração de homem.

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